O Irã lançou neste sábado, 18 de julho, uma nova rodada de mísseis e drones contra países que abrigam forças dos Estados Unidos, depois da sétima noite consecutiva de bombardeios americanos. A escalada alcançou instalações de energia e abastecimento de água, interrompeu operações aeroportuárias no Kuwait e ampliou o risco para a navegação, o petróleo e o comércio internacional.
O Kuwait confirmou que uma instalação petrolífera e uma usina de geração de energia e dessalinização foram atingidas. O aeroporto internacional suspendeu operações diante das ameaças de novos ataques, enquanto bombeiros e trabalhadores do setor de petróleo ficaram feridos durante o combate aos incêndios.
A Jordânia informou que suas defesas derrubaram mísseis iranianos. No Bahrein, sirenes foram acionadas repetidas vezes. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido instalações militares e centros de inteligência utilizados pelos Estados Unidos nesses países, mas parte das alegações iranianas sobre danos e aeronaves destruídas não recebeu confirmação independente.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) declarou que os ataques da sétima noite atingiram sistemas de vigilância, estruturas logísticas militares, depósitos subterrâneos de armas e capacidades marítimas iranianas. Autoridades do Irã relataram danos a pontes, túneis, aeroportos, redes elétricas e sistemas de água no sul do país.
A ampliação territorial muda o tamanho do risco. A guerra deixou de se concentrar em alvos militares dentro do Irã e passou a atingir infraestrutura essencial de países do Golfo que hospedam bases americanas.
O Estreito de Ormuz continua no centro do conflito. Antes da guerra, a passagem concentrava aproximadamente um quinto do petróleo e do gás comercializados mundialmente. O tráfego caiu para oito embarcações em uma quinta-feira de julho, ante uma média de cerca de 130 navios por dia antes do início dos confrontos.
O petróleo subiu mais de 4% na sexta-feira, 17 de julho, e alcançou o maior nível em mais de um mês. O barril voltou a superar US$ 86, enquanto transportadoras, seguradoras e comerciantes incorporam a possibilidade de novos ataques contra navios e instalações de energia.
A resposta à pergunta do leitor é direta: a escalada pode aumentar o diesel no Brasil, mas não existe repasse automático nem fórmula capaz de transformar a alta diária do petróleo em centavos imediatos nas bombas.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informa que os preços são livres nas etapas de produção, importação, distribuição e revenda. O valor pago pelo consumidor depende dos preços de refinarias e importadores, tributos, biodiesel, despesas operacionais e margens comerciais.
A própria ANP calcula a paridade de importação do diesel no Porto de Paranaguá considerando o preço internacional do combustível, frete, movimentação, armazenamento e serviços portuários. Uma guerra prolongada pode pressionar vários desses componentes ao mesmo tempo, principalmente se o petróleo subir, o dólar se valorizar ou o seguro marítimo ficar mais caro.
O impacto chega ao Paraná pelo transporte rodoviário. O diesel pesa na planilha de caminhoneiros, transportadoras, cooperativas, indústrias e empresas que levam grãos, carnes e produtos processados até Paranaguá ou distribuem mercadorias pelo interior do estado.
Uma elevação persistente do combustível aumenta o custo do frete e reduz margens mesmo quando o valor não é imediatamente transferido ao consumidor. A pressão pode aparecer nos contratos seguintes, na renegociação de cargas e no preço final de alimentos e insumos.
Os fertilizantes formam a segunda frente de risco. O Ministério da Agricultura e Pecuária informa que o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados nas lavouras. O Porto de Paranaguá é o principal canal de entrada desses produtos e responde por mais de um quarto do recebimento nacional.
Antes do início da guerra, aproximadamente um terço da ureia comercializada internacionalmente e quase metade do enxofre transportado por navios passavam pelo Estreito de Ormuz. A ureia é um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no agronegócio.
O problema não depende apenas de fertilizantes fabricados no Irã. O fechamento parcial de rotas, a retirada de navios, o aumento do seguro e a disputa por fornecedores alternativos podem encarecer cargas originadas em diferentes países.
Em 9 de julho, seguradoras já cobravam taxas de risco de guerra próximas de 3% do valor das embarcações que entravam no Golfo, ante aproximadamente 2% na semana anterior. As condições eram revisadas a cada 24 ou 48 horas, com impacto potencial de centenas de milhares de dólares sobre uma única viagem.
A divisão dessa conta depende dos contratos. Importadores e cooperativas podem estar protegidos por preços fechados, estoques ou mecanismos financeiros, mas também podem enfrentar cláusulas de sobretaxa, mudança de porto, atraso de entrega e renegociação do frete.
O setor paranaense precisa informar o volume contratado, a origem das cargas, o prazo de cobertura dos estoques e a parcela das importações sujeita a adicional de guerra. Sem esses dados, ainda não é possível calcular quantos reais a nova escalada acrescentará à tonelada do fertilizante ou ao litro do diesel.
Também seria precipitado anunciar um reajuste inevitável nas bombas. A variável decisiva será a duração dos ataques, o comportamento do petróleo, a disponibilidade de diesel importado e as decisões comerciais tomadas por produtores, importadores, distribuidores e postos.
A sétima noite de bombardeios, no entanto, elevou o risco. A guerra alcançou aeroportos, sistemas de água, instalações petrolíferas e países que servem de base às forças norte-americanas. Para o Paraná, essa ampliação pode aparecer no tanque do caminhão, na planilha do frete, no custo da lavoura e nos contratos movimentados pelo Porto de Paranaguá.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




