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Esquerda quer apoio de Sandro Alex a Requião Filho contra Moro

Grupos de discussão da esquerda paranaense passaram a cobrar apoio de Sandro Alex (PSD) a Requião Filho (PDT) em um eventual segundo turno contra Sérgio Moro (PL). A tese que circula entre os apoiadores é direta: se Requião Filho chegar à segunda etapa para enfrentar Moro, o campo político de Sandro deverá declarar apoio ao pedetista, repetindo a reciprocidade que a esquerda dize ter demonstrado em eleições anteriores.

O movimento não representa, até aqui, uma decisão partidária nem uma posição oficial da campanha de Sandro Alex. O Blog do Esmael teve acesso às conversas e identificou a discussão como uma articulação de eleitores em torno de um eventual segundo turno entre Requião Filho e Moro.

“Meu voto é Requião e tenho certeza que ele vai para o segundo turno!”, escreveu um apoiador.

Na sequência, o participante questionou por que o eleitorado progressista seria frequentemente chamado a apoiar candidaturas de centro quando seu candidato fica fora da disputa final.

“Agora que temos grande chance de colocar o Requião Filho no segundo turno é a vez deles mostrarem que são contra o Moro e nos apoiarem!”, cobrou.

A manifestação traduz a lógica que começa a aparecer nos grupos: se houver uma disputa Requião Filho x Moro, o apoio de Sandro Alex e de seu campo político não seria tratado como automático, mas como uma questão de reciprocidade eleitoral.

A “fatura” de 2024

A cobrança é associada por militantes à eleição municipal de 2024 em Curitiba.

Nas conversas, aparece a avaliação de que setores ligados ao campo de Requião Filho apoiaram Eduardo Pimentel (PSD) no segundo turno para impedir a vitória de Cristina Graeml (PSD), que, na época, concorreu pelo PMB.

Agora, diante da hipótese de Requião Filho enfrentar Moro, esses eleitores afirmam esperar uma posição semelhante do grupo político de Sandro Alex.

A lógica apresentada nos grupos é de reciprocidade: quem recebeu apoio para derrotar uma candidatura considerada adversária deverá devolver o gesto em uma eventual disputa estadual de segundo turno.

Não há, entretanto, acordo formal identificado pelo Blog do Esmael que estabeleça qualquer compromisso entre as candidaturas.

“Tudo contra Moro”

A rejeição a Moro aparece como um dos principais pontos de convergência nas conversas.

Um dos participantes afirmou que pretende definir sua posição apenas na véspera do primeiro turno, mas resumiu o sentimento em uma frase: “No momento sou anti Moro”.

Outro integrante respondeu que a discussão não deveria ser antecipada porque os dois projetos em disputa não representariam o campo progressista.

“Os dois projetos não nos representam”, escreveu.

Em outra mensagem, o participante reforçou que a prioridade seria levar Requião Filho ao segundo turno e classificou Sandro Alex como um candidato de direita que teria perdido o espaço político ocupado anteriormente pelo bolsonarismo.

A discussão ocorre enquanto Moro, Requião Filho e Sandro Alex aparecem como os três principais nomes nas pesquisas recentes. Na Paraná Pesquisas divulgada em 3 de setembro, Moro tinha 45%, Requião Filho 24% e Sandro Alex 17,5% no cenário estimulado.

Na pesquisa Neokemp divulgada em 10 de setembro, Moro aparecia com 48,8%, Requião Filho com 23,3% e Sandro Alex com 20,4%.

Os números, porém, não determinam quem estará no segundo turno. A eleição será definida pelo voto de 4 de outubro.

Sandro reafirma vínculo político com Bolsonaro

A discussão sobre uma eventual aliança contra Moro ganhou outro elemento após Sandro Alex afirmar, em evento realizado em Toledo em 13 de setembro, que não havia “traído” Jair Bolsonaro.

“Quando eu e Sperafico caminhávamos juntos com o Bolsonaro, porque não traímos o Bolsonaro”, afirmou Sandro, segundo registro publicado pelo Bem Paraná.

A fala foi imediatamente compartilhada nos grupos acompanhados pelo Blog do Esmael.

Um dos participantes questionou se Sandro representaria de fato uma “terceira via”. Outro respondeu que, para os progressistas envolvidos na conversa, tanto Sandro quanto Moro estariam fora do campo político de Requião Filho.

Sandro e Moro vêm trocando críticas durante a campanha. Em 24 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) aplicou multa de R$ 15 mil ao candidato do PSD e de R$ 15 mil ao diretório estadual do partido por impulsionamento de propaganda negativa contra Moro.

O conflito entre os dois, portanto, não elimina as diferenças políticas apontadas pelos apoiadores de Requião Filho.

A conta que os requianistas querem cobrar

O que emerge dos grupos não é uma campanha pelo voto em Sandro Alex. O debate é outro: se Requião Filho chegar ao segundo turno contra Moro, os requianistas querem saber de que lado ficará o grupo político de Sandro.

A cobrança parte de uma experiência anterior. Os participantes dizem ter apoiado Pimentel em 2024 para barrar Cristina Graeml e agora esperam reciprocidade em uma eventual disputa estadual.

A discussão ainda está restrita ao campo dos eleitores e não configura acordo entre partidos ou candidatos.

Para os grupos consultados pelo Blog do Esmael, entretanto, a pergunta já está colocada antes mesmo do primeiro turno: se a segunda etapa for Requião Filho contra Moro, Sandro Alex apoiará quem?

É essa resposta que os requianistas querem ouvir antes de definir qualquer eventual composição para a segunda etapa da eleição.

E se Sandro Alex avançar para o segundo turno, a esquerda entraria numa frente com Ratinho Junior para derrotar o ex-juiz Sergio Moro?

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