Após as eleições municipais de outubro, especula-se nos bastidores políticos que o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, possa assumir um importante cargo no governo do Paraná. Caso o mandatário consiga fazer seu sucessor na capital, o vice Eduardo Pimentel, Greca poderá ser indicado para a Secretaria de Estado da Comunicação Social (SECOM) pelo governador Ratinho Júnior, os três integram o Partido Social Democrático (PSD). Esta possível nomeação de Greca surge em meio a um cenário de mudanças e rearranjos políticos, não apenas no Paraná, mas também em São Paulo.
Para que Rafael Greca possa assumir a SECOM, há mais uma condição importante: a reeleição do atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que pertence ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Isso se deve ao fato de que, em caso de vitória de Nunes, o atual secretário da SECOM, Cleber Mata, seria chamado pelo prefeito paulistano, abrindo espaço para a nomeação de Greca. Essa mudança também permitiria que Mata ficassse mais próximo de sua família, que reside na capital paulista.
Rafael Greca fatalmente deixará o cargo de prefeito de Curitiba no dia 31 de dezembro de 2024, quando encerra seu mandato. Ele então enfrentaria um período sem ocupação política até as eleições de 2026, nas quais planeja concorrer ao governo do estado ou ao Senado. Essa possível transição de cargos entre Curitiba e o governo do Paraná não é incomum, sendo parte de uma dinâmica política observada entre os dois entes [município e estado].
Greca já foi secretário de Comunicação Social no governo de Jaime Lerner, entre 2000 e 2002, na entressafra eleitoral, antes de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP).
A possibilidade de Rafael Greca assumir a SECOM no governo de Ratinho Júnior insere-se em um contexto mais amplo de intercâmbio político entre Paraná e São Paulo. Um exemplo disso é o caso de Renato Feder, que ocupou cargos tanto no governo do Paraná quanto no governo de São Paulo, destacando a relação próxima entre as administrações desses estados.
Essa relação de reciprocidade política não se limita apenas aos cargos executivos, mas também se estende ao poder legislativo. Em 2018, São Paulo elegeu a jornalista Joice Hasselmann e, em 2022, Rosângela Moro como deputadas federais. Ambas têm vínculos com o Paraná, evidenciando a influência política mútua entre os dois estados.
Além disso, São Paulo conta com personalidades políticas que têm relação com o Paraná. Um exemplo é Ricardo Gomyde, vice-chanceler da cidade de São Paulo e membro da Secretaria Municipal de Relações Internacionais, liderada pelo ex-ministro Aldo Rebelo. Essas conexões políticas demonstram o intenso intercâmbio entre os dois estados e suas respectivas capitais.
O intenso intercâmbio político e administrativo entre Paraná e São Paulo remonta ao período em que o Paraná era uma província do estado de São Paulo, conhecido como a “Quinta Comarca” até 1853. Essa história compartilhada influencia as relações políticas e administrativas até os dias atuais, evidenciando a continuidade de laços que atravessam séculos. Portanto, esse fato histórico explica em parte a possível troca vindoura entre Cleber Mata e Rafael Greca. É esperar e conferir.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.





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