A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), acionou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Justiça depois da publicação de um vídeo em que sua imagem é associada a organizações criminosas. Na ação, a defesa pede indenização por danos morais e a retirada do conteúdo do ar. Segundo a reportagem do Terra, o senador foi procurado e não quis se manifestar.
O vídeo foi publicado no domingo (15) e usa inteligência artificial para montar uma peça de ataque político. Na postagem, a imagem de Gleisi aparece vinculada à violência e à criminalidade, dentro de uma narrativa que tenta colar no PT a pecha de proximidade com facções. A defesa da ministra afirma que Flávio faz uso “nefasto do abuso” da liberdade de expressão e da inviolabilidade parlamentar para destruir a reputação de adversários por meio de medo e ódio.
A peça divulgada por Flávio mistura dois planos. De um lado, explora uma fala antiga do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre traficantes, depois corrigida pelo próprio presidente. De outro, tenta transformar a posição do governo brasileiro contra enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas em argumento eleitoral, como se isso significasse proteção política ao crime. É aí que a disputa deixa de ser apenas jurídica e entra de vez no terreno da campanha de 2026.
Em paralelo à ação pessoal de Gleisi, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, Partido Verde (PV) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB), acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e o Partido Liberal (PL). A federação pede a remoção imediata de três vídeos publicados no Instagram e multa por propaganda eleitoral antecipada negativa, numa faixa que pode variar de R$ 5 mil a R$ 30 mil. A representação foi distribuída para a ministra Estela Aranha.
O ponto mais explosivo dessa nova rodada é o uso de IA para turbinar a estética do medo. O TSE admite o uso de inteligência artificial com aviso explícito, mas proíbe manipulações digitais que alterem imagem ou voz de pessoas de modo enganoso, o chamado deepfake. Na petição, o PT sustenta que o material foi produzido para criar “uma atmosfera de horror” e empurrar o eleitor a uma associação falsa entre adversários políticos e o crime organizado.
No fundo, o caso revela a antecipação brutal da disputa presidencial. Flávio testa uma narrativa de guerra moral, segurança pública e demonização do lulismo. Gleisi responde levando o embate para o Judiciário e tentando impor custo político e financeiro à máquina de desinformação bolsonarista. A briga não é apenas sobre um vídeo. É sobre quem conseguirá enquadrar o debate público antes que a campanha comece oficialmente.
Dito isso, o episódio mostra que a eleição de 2026 já começou na trincheira mais tóxica da política brasileira, a da difamação audiovisual, da manipulação emocional e da criminalização do adversário sem prova. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




