O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou na mira da oposição depois da homenagem da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí. Nesta terça-feira (17), líderes da direita voltaram a prometer ida ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar enquadrar o desfile como “showmício” e propaganda antecipada, como se a avenida tivesse virado urna.
A diferença é o tom. A oposição não só contestou, ficou magoada. E, como boa mágoa política, foi parar na geladeira para durar mais tempo, atravessar o fim do Carnaval sem perder o sabor e reaparecer na ressaca com cara de cruzada cívica.
O fio do enredo é conhecido. A direita tenta amarrar a história na tese do “pedido explícito de voto”, aquela linha tênue que a Justiça Eleitoral costuma exigir para caracterizar propaganda antecipada. Quando não cabe, inventa-se o subtexto, a insinuação, o clima, o “palanque”, o “sinal”, o “recado”.
No meio disso, o TSE já tinha dado o recado. A Corte negou liminares que pediam censura prévia ao desfile e registrou que não se comprovou, naquela análise inicial, o tal “pedido explícito de voto”. Quem queria proibir antes, ficou sem.
Mas a mágoa não se joga fora, se recicla. A oposição passou a vender a ideia de que vai voltar ao TSE com “novos elementos”, “fatos” e “representações”, para tentar transformar cultura em processo e abrir o ano eleitoral no grito do carimbo.
Nos bastidores, o Planalto tratou a Sapucaí como terreno minado. A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, desistiu de desfilar e disse que recuou para evitar “perseguição” ao presidente e à escola. Quando a política vira patrulha, o governo preferiu não oferecer foto de bandeja.
Do lado de lá, o roteiro é o oposto: oferecer processo como espetáculo. E, na ressaca, prometer infernizar a vida de Lula no TSE virou uma forma de manter a militância acesa, ocupar manchete e tentar enquadrar o presidente no figurino de réu permanente, mesmo quando o enredo é samba.
O problema é que o país já viu esse filme. Judicializar tudo pode render cliques e palanque, mas não substitui política, nem debate, nem projeto. E, quando a oposição transforma a avenida em petição, ela confessa mais sobre sua própria falta de caminho do que sobre qualquer “crime” do adversário.
Portanto, quando o Carnaval acaba, a direita tenta emplacar que a festa foi campanha e que o samba foi “showmício”. A ironia é que, ao fazer isso, ela admite que apanhou na disputa da Sapucaí e resolveu guardar a dor na geladeira para servir fria no TSE.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




