Bolsonaro abandona Milton Ribeiro: ‘Se for culpado, vai pagar’

► Senado deve anunciar abertura da CPI do MEC: falta apenas uma assinatura

O presidente cessante Jair Bolsonaro (PL) sinalizou que irá abandonar seu ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, que foi preso nesta quarta (22/06) pela Polícia Federal.

O mandatário tinha dito em março, quando veio à tona esquemas de corrupção no MEC, que botaria sua cara no fogo pelo então ministro Milton Ribeiro.

Hoje, em entrevista à rádio Itatiaia, de Minas Gerais, Bolsonaro parece que “abandonou ferido na estrada” seu aliado e irmão em Cristo.

– O caso do Milton, pelo que eu estou sabendo, é aquela questão que ele estava, estaria com a conversa meio informal demais com algumas pessoas de confiança dele. E daí houve denúncia que ele teria buscado prefeito, gente dele para negociar, para liberar recurso, isso e aquilo. E o que aconteceu? Nós afastamos ele. Se tem prisão, é Polícia Federal. É sinal que a Polícia Federal está agindo – disse.

Na sequência, Jair Bolsonaro atirou Milton Ribeiro aos leões:

– Ele responda pelos atos dele. Eu peço a Deus que não tenha problema nenhum. Mas, se tem algum problema, a PF está agindo, está investigando, é um sinal que eu não interfiro na PF, porque isso aí vai respigar em mim, obviamente – se equivou o inquilino do Palácio do Planalto.

Como de praxe, o presidente da República tentou desviar-e da lama em seu governo.

– Eu tenho 23 ministros, tenho mais de uma centena de secretários, mais de 20 mil cargos em comissão. Se alguém faz algo de errado, pô, vai botar a culpa em mim? Vinte mil pessoas. Logicamente, a minha responsabilidade é afastar e colaborar com a investigação. Pode ter certeza que essa investigação, além da PF, não interfiro, deve ter Controladoria-Geral da União, aí sim é um ministério meu, etc. E ajudando para elucidar o caso – declarou na entrevista.

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– Lamento, a imprensa vai dizer que está ligado a mim, etc., paciência. Se tiver algo de errado, ele vai responder. Se for inocente, sem problemas. Se for culpado, vai pagar. O governo colabora com a investigação. A gente não compactua com nada disso. Agora, não sei qual a profundidade dessa investigação. No meu entender, não é aquela orgânica, porque nós temos os compliances nos ministérios. E qualquer contrato, qualquer negócio, não passa – disse ainda Bolsonaro.

Jair Bolsonaro também recordou da CPI da Covid, no Senado, que, segundo ele, não provou nada.

– Igual tentaram, na CPI, falar que eu queria comprar 400 milhões de doses da [vacina] Covaxin. Pô, não comprei nenhuma dose. Não gastei um centavo. Se tivesse comprado, não seria eu. Quem compra é o ministério. Eu não tenho como saber o que 23 ministérios compram – afirmou.

Com a prisão de Milton Ribeiro, Bolsonaro vê seu discurso – de que não há corrupção no governo – ruir como cartas de baralho.

– Tem os compliances nossos. Se acontecer alguma coisa, vão para cima. Lamento, gostaria que não tivesse acontecido nada disso, mas se a PF prendeu, tem um motivo. E o ex-ministro vai se explicar. Nós afastamos na hora que tinha que afastar, quando pintaram as denúncias, até para ele poder ter mais liberdade para se defender. Não tenho mais informações a não ser, até agora há pouco, que foi detido o ex-ministro Milton – disse ele.

A oposição no Senado disse que tem 26 assinaturas para a criação da CPI do MEC. São necessárias 27 assinaturas dos 81 senadores, qual seja, falta apenas uma assinatura para a instalação da comissão de investigação da corrupção no Ministério da Educação.

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