Vaias a Bolsonaro e Ratinho no Paraná mostraram que ainda há chão até 2022 [vídeo]

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O presidente Jair Bolsonaro e o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), foram bastante apupados nesta quinta-feira (04/02) durante uma cerimônia de inauguração de Centro Esportivo em Cascavel, Oeste do Estado. A plateia selecionada, composta de fazendeiros e empresários fortes da próspera região, protestou contra o pedágio nas rodovias paranaenses.

Tirando a reivindicação econômica por um instante, se depreende que as vaias para Bolsonaro e Ratinho no Paraná mostraram que ainda há muito chão até as eleições de 2022 –a despeito da vitória “adquirida” pelo presidente no Congresso Nacional.

“Fora pedágio! Fora Pedágio! Fora Pedágio!”, protestavam os ricos cascavelenses e catarinenses, que participaram da cerimônia presidencial de ontem. O estopim para as vaias foi o anúncio da presença do governador Ratinho Junior, que pode ter dificuldades para sua reeleição no ano que vem –apesar da aparente tranquilidade. O ex-senador Roberto Requião (MDB-PR), por exemplo, já funga no cangote do mandatário estadual, bem como o deputado socialista Luiz Claudio Romanelli (PSB), que também pensa ocupar o Palácio do Iguaçu em 2022.

A guerra do pedágio no Paraná

O fato é que Bolsonaro e Ratinho se uniram com a finalidade de instalar 15 novas praças de pedágio [hoje são 27] a partir de licitação para um modelo híbrido de cobrança.

“Saí convencido de que o novo pedágio é um assalto ao povo paranaense. O que vimos aqui é maquiagem política, que vai arrastar esse ‘câncer econômico’, que é o pedágio, por mais 30 anos”, disse o coordenador da Frente Parlamentar sobre o Pedágio, deputado Arilson Chiorato (PT), depois de ouvir o técnicos do Ministério da Infraestrutura na manhã desta quinta-feira (04/02) durante uma audiência pública.

O deputado Luiz Claudio Romanelli, também integrante da Frente Parlamentar, disse que o Paraná não pode ser modelo novamente de tarifa alta para pedágio. Segundo ele, a licitação pelo menor preço, a eliminação do teto no desconto da tarifas e a redução significativa do degrau tarifário para as pistas duplicadas.

“São os pontos mais vulneráveis que, na minha avaliação, podem fazer com que as tarifas de pedágio do Paraná continuem altas. O entendimento majoritário na Casa é que queremos uma licitação utilizando critério exclusivo da menor tarifa”, disse Romanelli.

Audiências públicas sobre o pedágio

A Frente Parlamentar sobre o Pedágio convocou a população para a primeira de uma série de audiências públicas nesta sexta-feira (05/02), em Cascavel, no Oeste do estado. O debate irá acontecer, às 9h30, no Auditório da Associação Comercial e Industrial de Cascavel (ACIC).

Amanhã (sábado, dia 6), os parlamentares também irão se reunir em Foz do Iguaçu, às 9h30, no Auditório da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (ACIFI). Durante um mês, os deputados que integram a Frente Parlamentar do Pedágio irão promover as audiências públicas em várias regiões do Estado.

Para o deputado, o modelo de pedágio proposto pelo governador Ratinho Junior e o presidente Jair Bolsonaro são ilegais e nocivos à economia popular e aos interesses do setor produtivo do Paraná. “Eles querem limitar o desconto na licitação em 20%”, criticou. “É como você se recusar um desconto na compra do mercado”, comparou.

“O pedágio dá mais dinheiro que o tráfico da América Latina. Só arrecada. Não tem retorno com prestação de serviço”, disparou o deputado Arilson Chiorato.

O coordenador da Frente Parlamentar acusou ainda a Lava Jato de ter ajudado a perpetuar as máfias do pedágio e as tarifas mais altas do mundo.

Devido à pandemia do coronavírus, as audiências públicas serão de forma híbrida (presencial e virtual) e transmitidas pelos canais do legislativo.

Calendário das audiências

  • 05/02 Cascavel
  • 06/02 Foz do Iguaçu
  • 11/02 Londrina
  • 12/02 Jacarezinho ou S.A Platina (Norte Pioneiro)
  • 18/02 Guarapuava
  • 19/02 Francisco Beltrão
  • 25/02 Maringá
  • 26/02 Apucarana
  • 04/03 Curitiba
  • 05/03 Ponta Grossa

O deputado Arilson Chiorato disse que o pedágio no Paraná é um assalto sem armas, à luz do dia, contra os usuários das rodovias.

“Querem mais 30 anos de contrato, mais 15 novas praças, mais 827 quilômetros de rodovias pedagiadas, além dos 2.500 já nas mãos das concessionárias, e premiação para quando as obras previstas ficarem prontas, ou seja, aumentar o pedágio em 40% até o fim do contrato”, alertou.

Assista ao vídeo: