Eram transgressores da lei, diz Gilmar sobre força-tarefa da Lava Jato

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Em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira (5), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), comentou sobre o fim da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná e defendeu a integração de seus membros ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

“Certamente a Operação tem méritos de combate à corrupção, isso é inegável e precisa prosseguir. Mas tudo indica que a própria Procuradoria-Geral da República (PGR) detectou uma desinstitucionalização. Os fatos revelados indicam que a Lava Jato estava na estratosfera. Sequer pertencia ao Ministério Público. Segundo os vazamentos, esses diálogos, [o chefe] era o Sergio Moro, que eles chamam de Russo. Os procuradores dizem até que seguiam o Código de Processo Penal (CPP) da Rússia. Isso é sintomático de um total descolamento institucional. Daí talvez a importância desse regresso ao Brasil. Eles talvez tenham que estabelecer relações diplomáticas com o Brasil via GAECO”, disse.

Na entrevista, o ministro também afirmou que os agentes públicos da Lava Jato não atuavam “dentro das esferas de suas competências” e eram “transgressores da lei”.

“Um colega de vocês [jornalista] escreveu que a Lava Jato não morreu, foi assassinada. Eu diria que ela cometeu suicídio”, disse.

Gilmar afirmou ainda que espera julgar no primeiro semestre de 2021 a suspeição de Moro no habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Lula.

“Vamos nos posicionar nessa questão que é básica: saber se o juiz que julgou um dado réu era independente, imparcial em relação a ele”, disse, ressaltando que a corte pode declarar nulo o julgamento, mas que a decisão valeria apenas para o caso conhecido como o tríplex do Guarujá.