Maia rebate Bolsonaro e defende corte de salários nos Três Poderes

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), rebateu hoje (9) a proposta do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de cortar salários de parlamentares para arcar com a prorrogação do auxílio emergencial, dizendo que a conta não fecha.

Pela manhã, Bolsonaro afirmou que aceitaria manter os R$ 600 por mais dois meses desde que deputados e senadores reduzissem os próprios salários para ajudar a financiar o programa.

“Eu sei que tem parlamentar que quer mais duas de R$ 600. Tudo bem, se tivermos um programa para diminuir o salário do parlamentar pela metade. Grande parte do salário desses parlamentares será usada para pagar isso aí, tudo bem. Eu pago até R$ 1 mil por mês, não tem problema nenhum. Mas dizendo de onde vem o recurso. Não podemos nos endividar”, disse o presidente durante a 34ª reunião do conselho do governo.

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Segundo Rodrigo Maia, o gasto com salários de parlamentares é de R$ 220 milhões anuais brutos e o custo de mais dois meses da renda emergencial é cerca de R$ 100 bilhões. “Acho que a conta está distante”, rebateu Maia.

Para o presidente da Câmara, não há problemas em discutir uma repactuação dos salários de todos os servidores públicos, mas isso deve envolver, necessariamente, os três Poderes. Ele explicou que, dos R$ 200 bilhões de gastos com salário do funcionalismo público, R$170 bilhões são só do Executivo. Maia afirmou que o corte dos salários mais altos por poucos meses para garantir a renda emergencial de R$ 600 está sendo debatida pelo Parlamento, mas ressaltou que a discussão deve envolver tanto o Executivo quanto o Judiciário e o Legislativo.

“Se os três Poderes estiverem de acordo, que não seja um corte muito grande, cortando os salários mais altos por poucos meses, para garantia da renda emergencial, tenho certeza de que o Parlamento está disposto a dialogar e conversar para conseguir fazer o que é fundamental: cuidar dos mais vulneráveis. Temos que construir as condições para continuar transferindo renda”, disse.

Com informações da Agência Câmara.