Deflação de 0,31% em abril comprova depressão na economia do Brasil

A crise econômica promovida pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes, agravada pela pandemia de coronavírus, produziu o fenômeno da deflação de 0,31% em abril, menor índice em 22 anos.

Segundo os clássicos da economia mundial, a deflação está normalmente associada a períodos de recessão –é uma fase de contração no ciclo econômico –a exemplo da Grande Depressão de 1929, bastante lembrada nos dias de hoje.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, caiu 0,31% em abril, em meio a queda dos preços dos combustíveis e o desabamento da atividade econômica, segundo divulgou nesta sexta-feira (8) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar de a mídia dourar a pílula, afirmando que a crise surgiu com o coronavírus, a economia de Bolsonaro e Paulo Guedes já vinha com “comorbidades” antes da pandemia. Ou seja, o estrago do vírus no organismo do “paciente” foi potencializado pelo desemprego, recessão, aumento de miséria preexistentes.

A velha mídia tenta incutir que o mau-humor da população com o presidente Jair Bolsonaro é devido sua imperícia para lidar com a pandemia do coronavírus. Nada mais falso. A bronca dos brasileiros é com a falta de perspectiva econômica, o day after.

O batedor de panela, hoje, é aquele seu parente, cidadão envergonhado, que votou no capitão e foi enganado pela falsa promessa de uma vida melhor.
A irritação com Bolsonaro é por causa do desastre na economia.

Quantas pessoas você conhece, caro leitor, que vendeu bens para investir na bolsa acreditando na “estabilidade econômica” anunciada pelo presidente e seu “Posto Ipiranga”, o ministro Paulo Guedes? Provavelmente, muitas pessoas.

A irritação é porque muitos “cidadãos de bem” caíram no “conto do vigário” da segurança jurídica e econômica.

Muitos acreditaram na cantilena do liberalismo, modelo que ruiu no início do século XX.

Bolsonaro e Guedes esconderam do distinto público que eles já tinham perdido o controle da economia bem antes da chegada do coronavírus, portanto, a recessão era uma “doença” preexistente no Brasil.

A irritação com Bolsonaro e Guedes é justíssima, pois.

Acerca da deflação
Na visão keynesiana, a deflação pode ser gerada por uma procura agregada inferior à da oferta do produto potencial e daqui pode ganhar um ritmo próprio ao estabelecer-se na economia criando expectativas de deflação para os anos futuros.

Os preços acabam caindo sempre que sobram mercadorias por falta de consumidores. Como as empresas não conseguem vender como antes, mesmo a preços menores, o faturamento e o lucro também acabam reduzidos.

Para não ficar no prejuízo, elas são obrigadas a diminuir o ritmo da produção e a demitir funcionários. Com o desemprego alto, ninguém costuma gastar além da conta. Por isso, a oferta de serviços e os estoques crescem. Resultado: excesso de bens e preços menores que os de períodos anteriores.

O processo de deflação ainda pode ser iniciado, ou agravado, pela baixa oferta de moeda. Quer dizer, falta dinheiro em circulação, seja por causa dos juros altos, que tornam o crédito proibitivo, seja pela falta de investimentos. Essa bola de neve costuma afetar todos os setores da economia, do agricultor aos fabricantes de eletrodomésticos, além de abalar a própria estrutura social.

Exemplos:
• Mesmo com preços reduzidos, a fábrica de automóveis não consegue vender seu produto
• Com a queda nas vendas, a fábrica demite trabalhadores
• Sem receber, o trabalhador deixa de trocar sua TV por um modelo mais novo
• Cai a venda de pacotes de viagens. As agências baixam os preços e baixa também a comissão dos vendedores, que deixam de comer fora
• Na tentativa de atrair clientes, o dono do restaurante faz sucessivas promoções. Mesmo assim, seu rendimento cai e ele adia a troca de carro
• Cai a venda de carros, logo o dono stand deixa de poder fazer viagens de família, deixando de usufruir dos serviços das agências de viagens.
• E assim sucessivamente

De acordo com o IBGE, esse produtos tiveram deflação em abril:

  • Gasolina (-9,31%)
  • Etanol (-13,51%)
  • Óleo diesel (-6,09%)
  • Gás veicular (-0,79%)
  • Eletrodomésticos e equipamentos (-3,58%)
  • Itens de mobiliário (-2,92%)
  • Energia elétrica (-0,76%)
  • Comer fora (-0,13%)
  • Carnes (-2,01%)

O que caiu e o que subiu, segundo o IPCA

Na análise por grupos, as maiores quedas fora nos preços de transportes (-2,66%) e artigos de residência (-1,37%). Veja a inflação de março por grupos e o impacto de cada um no índice geral:

  • Alimentação e bebidas: 1,79% (0,35 ponto percentual)
  • Habitação: -0,10% (-0,02 p.p.)
  • Artigos de residência: -1,37% (-0,05 p.p.)
  • Vestuário: 0,10% (0 p.p.)
  • Transportes: -2,66% (-0,54 p.p.)
  • Saúde e cuidados pessoais: -0,22% (-0,03 p.p.)
  • Despesas pessoais: -0,14% (-0,01 p.p.)
  • Educação: zero (0 p.p.)
  • Comunicação: -0,20% (-0,01 p.p.)
  • Construção civil (0,25% em abril)

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Justiça dá 72 horas à ANP para responder ação de Gleisi contra aumento do gás de cozinha

O juiz federal Augusto César Pansini Gonçalves, da 6ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná, concedeu prazo de 72 horas para a Agência Nacional do Petróleo (ANP) se manifestar sobre os constantes aumentos abusivos nos preços do gás de cozinha. A manifestação atende à ação popular movida pela presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), que pediu à Justiça que determina à ANP a fixação do valor do botijão de 13 quilos em R$ 49 para o consumidor final. Gleisi cobrou a fiscalização da agência junto aos distribuidores em todo o país.

No recurso judicial, Gleisi argumenta que, em meio à crise sanitária e econômica que o país enfrenta, consumidores de diversos estados brasileiros denunciam a conduta abusiva de distribuidoras e revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), que se aproveitam do momento para aumentar injustificada e abusivamente os preços do botijão. “Enquanto a Petrobras anunciou a terceira redução no preço do GLP nos últimos dias, acumulando um corte de 21% nos preços neste ano, o que significa que o preço nas refinarias do botijão de 13kg passa ser R$ 21,85, há distribuidoras e revendedoras pelo país que estão vendendo o botijão por mais de R$ 100”, alerta.

A presidenta do PT diz que a situação é grave, porque se trata de um item de extrema necessidade a todos os brasileiros. Ela alerta que a ANP tem a obrigação de reforçar a fiscalização e zelar pelo correto funcionamento das atividades do setor. Por isso, Gleisi pediu à Justiça que intime a agência a adotar medidas mais firmes para fiscalizar e evitar as práticas abusivas. “Não é aceitável que fornecedores abusem de seus direitos e forcem seus interesses financeiros em um momento tão delicado sem que se preocupem com a existência de outros sujeitos mais frágeis na relação, que dependem de seus produtos e serviços para viver”, denuncia.

“A Petrobras já se manifestou a respeito de que não haverá desabastecimento no país e, inclusive, anunciou a importação adicional de três navios carregados com GLP, cada um com capacidade de 20 milhões de quilos, para reforçar o abastecimento do país”, insiste. “A vida, a alimentação e a saúde da população estão em risco por falha estrutural no sistema de fiscalização de serviços essenciais, o que demanda uma atuação imediata por parte do Poder Judiciário, a partir da adoção de uma postura estruturante garantidora de direitos” acrescenta.

Bolsonaro é principal ameaça ao combate do coronavírus no Brasil, diz revista científica Lancet

O presidente Jair Bolsonaro, com seu discurso e ações contrários ao isolamento social, é a principal ameaça aos esforços de combate à pandemia de Covid-19, doença respiratória provocada pelo novo coronavírus, disse a revista científica Lancet, uma das mais prestigiadas do mundo, em editorial divulgado nesta sexta-feira.

A publicação científica criticou o “E daí?” que Bolsonaro usou para responder na terça-feira da semana passada a jornalistas quando perguntado sobre o fato de o Brasil ter superado a China em número de mortes provocadas pela Covid-19. Na ocasião, o Brasil registrava 5.017 vítimas fatais da doença. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados na quinta-feira —nove dia após aquela fala do presidente— o país tem 9.146 mortes causadas pelo coronavírus, com 135.106 casos confirmados.

“Neste momento, cidades grandes como São Paulo e o Rio de Janeiro são os principais focos, mas há sinais de que a infecção está se deslocando para o interior dos Estados, onde estão localizadas cidades menores, sem provisões adequadas de leitos com cuidados intensivos e ventiladores. Ainda assim, talvez a maior ameaça à resposta ao Covid-19 para o Brasil seja o seu presidente Jair Bolsonaro”, disse a revista no editorial intitulado “Covid-19 no Brasil: E daí?”

Para a Lancet, Bolsonaro “continua semeando confusão, desprezando e desencorajando abertamente as sensatas medidas de distanciamento físico e confinamento introduzidas pelos governadores de Estado e pelos prefeitos das cidades”.

O presidente já se referiu por mais de uma vez à Covid-19 como uma “gripezinha” e tem criticado governadores e prefeitos que adotaram medidas de isolamento social, ferramenta preconizada pela maioria da comunidade científica e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para frear a disseminação do vírus.

Além disso, Bolsonaro frequentemente estimula aglomerações, indo a lugares públicos em Brasília e no entorno no fim de semana, e participando de manifestações que têm entre suas bandeiras, além do apoio a seu governo, pautas antidemocráticas como o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

Também na semana passada, após o episódio do “E daí?”, Bolsonaro disse que ele não é responsável pelas mortes provocadas pela Covid-19 no Brasil e tentou responsabilizar os governadores pelos óbitos.

No editorial, a Lancet lembra que, em meio à pandemia, Bolsonaro ficou sem dois ministros populares — Luiz Henrique Mandetta, que foi demitido da Saúde pelo presidente, e Sergio Moro, que pediu demissão da Justiça e, ao sair, fez acusações contra Bolsonaro.

“Esta desorganização no centro da administração do governo é não só uma distração com consequências fatais no meio de uma situação de emergência de saúde pública, mas também um forte sinal de que a liderança no Brasil perdeu o seu compasso moral, se é que alguma vez teve um”, dispara a revista que em nenhum momento cita o atual ministro da Saúde, Nelson Teich.

“O Brasil como país deve unir-se para dar uma resposta clara ao ‘E daí?’ do Presidente. Bolsonaro precisa mudar drasticamente o seu rumo ou terá de ser o próximo a sair”, disse a revista.

O Palácio do Planalto não respondeu a um e-mail da Reuters com pedido de comentário sobre o editorial da Lancet.