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Coluna do Marcelo Araújo: Gustavo Fruet; nosso Midas ao avesso

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O advogado Marcelo Araújo, em sua coluna semanal, comenta o mandato do prefeito Gustavo Fruet (PDT) que, segundo o colunista, na ausência de realizações próprias, tenta assumir a ‘paternidade’ de obras anteriores a sua gestão; Ele cita o exemplo da trincheira da Rua Chile, inaugurada pelo então prefeito Luciano Ducci (PSB), que teria sido mostrada em propagando partidária como realização de Fruet; Segundo o colunista, de suas mesmo, Gustavo pode “se orgulhar” das ditas calçadas verdes que, para ele, oferecem mais riscos que benefícios aos pedestres e ao trânsito em geral. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Marcelo Araújo*

Imagine comigo uma pessoa posando na frente de um quadro de medalhas e troféus, defronte a um pano azul, todo sorridente e se vangloriando da realização. Mas você olha com mais atenção e vê que essas honrarias não são do personagem, pois sua única obra foi pendurar o pano azul no fundo!

Dia desses eu não acreditei ao ver aquele que dizem ser o prefeito de Curitiba numa propaganda partidária mostrando as realizações de sua gestão, e não é que me aparece a imagem da trincheira da Rua Chile, com seus inconfundíveis ladrilhos azuis!

Eu estava lá! No dia 24 de março de 2012 o prefeito Luciano Ducci inaugurava a dita trincheira no primeiro período da manhã daquele sábado, e logo em seguida, na mesma manhã, inaugurava a trincheira do Bacacheri/ Bairro Alto, obras de R$ 23 milhões para atender diretamente 200 mil pessoas de sete grandes bairros da cidade, além da estrutura viária como um todo.

Nas redes sociais pipocaram algumas postagens indignadas mostrando fotos da época e desmentindo o que havia acabado de ser mostrado. Estranhamente a tal propaganda sumiu, mas tem gente que viu! O Gustavo é o personagem do primeiro parágrafo. Ele aparece diante das grandes obras herdadas e quando você vê com mais atenção descobre que na imagem mostrada a única obra que ele realizou foi o reforço da pintura no asfalto, naturalmente desgastada depois de quatro anos. Esse é um alerta para que tomemos cuidado porque já deu pra ver que não dá pra confiar, não há boa-fé. Ou melhor, se na imagem for identificada qualquer coisa feia, malfeita, aí pode ser.

Exemplo de coisa que está feia, mas põe feia, são os obstáculos (balizadores) que foram colocadas para delimitar as ‘baias’, ou melhor, as ‘calçadas verdes’. Peloamordedeus! Foram colocados obstáculos, postes, defensas no meio da rua! E isso é preocupação com o pedestre? Quer dizer que num eventual acidente o pedestre não pode ser prensado, ou até jogado sobre o tal balizador. Parece filme de terror. Será que ninguém se recorda do ciclista que caiu no Parque Barigui sobre um desses obstáculos e teve a barriga perfurada.

Enquanto as montadoras procuram tirar da frente de seus veículos quaisquer peças, acessórios ou emblemas e logotipos que possam potencializar os efeitos danosos do pedestre ou ciclista no caso de um atropelamento, a exemplo dos ‘quebra-matos’ sem cantos-vivos, emblemas tradicionais como da Jaguar, Mercedes entre outros que eram colocados no capô, justamente pensando na possibilidade indesejável do acidente, nosso prefeito coloca interferências físicas a espera de pessoas que possam ser projetadas nesses obstáculos, ou que veículos possam colidir.

Esse é o nosso Rei Midas ao avesso, pois ao invés de virar ouro tudo o que toca vira merda!

De multa eu entendo!

*Marcelo Araújo é advogado, presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Mobilidade da OAB/PR. Escreve nas terças-feiras para o Blog do Esmael.

 

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