Coluna do Luiz Cláudio Romanelli: Conhecimento e libertação

universidades

Em sua coluna desta segunda-feira, o deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) fala da importância das universidades estaduais. Romanelli lembra que o Paraná é o estado que mais investe em ensino superior, com a manutenção de sete instituições e mais de 100 mil estudantes. Lembra também que o governo federal investe menos no Paraná do que em outros estados neste quesito. Leia, ouça, comente e compartilhe.

Download

Luiz Cláudio Romanelli*

“Navegar é preciso, viver não é preciso”
Fernando Pessoa

Li e recomendo o artigo “Parabéns, atingimos a burrice máxima”, da jornalista e escritora Eliane Brum no El País do último dia 12 (leia aqui).

E “pensar” é mercadoria em falta no Brasil. No caso dos sofismas conservadores contra Simone de Beauvoir, Eliane Brum prova o ridículo de seus detratores e conclui: “o confronto atual não é entre direita e esquerda, mas entre os que pensam e os que não pensam”.

Acredito como ensinou o educador e filósofo Paulo Freire, que a educação liberta e transforma e que se “a educação sozinha não muda a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”.

Ensinar a pensar, a compreender, a conscientizar, a questionar é tarefa da escola. Universalizar o acesso à educação, em todos os níveis, mas especialmente no ensino médio e superior, mais do que necessário e urgente, é o instrumento para reverter o vazio de pensamento.

O Paraná tem feito um grande esforço para democratizar o conhecimento. É o Estado com maior número de instituições de ensino superior estaduais em todo o país e investe mais de R$ 2 bilhões por ano.

O sistema de ensino superior público do Paraná é formado por sete universidades estaduais com 8 mil professores, cerca de 9 mil agentes universitários e 104 mil estudantes nos cursos presenciais e a distância.

Juntas as universidades ofertam 341 cursos de graduação (presenciais e a distância), 291 de especialização (presencial e a distância), 162 mestrados e 67 doutorados. As escolas apostam na qualidade da formação. Nos últimos cinco anos houve um aumento de cerca de 70% na oferta de novos cursos de pós-graduação. Em 2010 eram 110 cursos de mestrado, número que passou para 162 em 2015. Já os de doutorado eram 41 e hoje são 67.

O Governo do Paraná é o que, proporcionalmente, mais investe no ensino superior. O estado, digo e repito, é o único no país que mantém sete universidades com recursos do Tesouro do Estado e que se destacam entre as melhores do país nas avaliações do MEC.

É um investimento  elevado demais, ainda mais se levarmos em conta que cabe a União a competência pelo investimento e custeio do ensino superior no país.

Minas Gerais, por exemplo, tem 15 universidades federais e duas estaduais. O Rio Grande do Sul tem seis instituições mantidas com recursos federais e apenas uma mantida pelo Estado.

Nos últimos cinco anos, o Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, dirigida pelo competente Secretário João Carlos Gomes,  concedeu um reajuste acumulado de 72,68% aos docentes das universidades estaduais, levando-se em conta os percentuais da equiparação salarial e da data base.

Nas universidades estaduais, 90% dos docentes têm mestrado e/ou doutorado. De acordo com a tabela de vencimento básico da categoria, um professor com mestrado tem acréscimo de 45% sobre o seu salário e para os que possuem doutorado o acréscimo é de 75%.

Ao ingressar na carreira de docente do ensino superior, com título de doutorado, com regime de tempo integral e dedicação exclusiva, o professor recebe R$ 11.496,63.

No caso de um professor titular, aquele que se enquadra no último nível da carreira mediante concurso público, o salário é de R$ 16.860,16.

Entre as conquistas para a área do ensino superior estadual neste governo, está a contratação de 1.308 professores para as sete universidades. Neste ano foi criada uma mesa permanente de negociação para avanços na carreira dos servidores das universidades estaduais, com representantes dos sindicatos e da Secretaria de Ensino Superior, da qual participo como líder do governo na Assembleia.

A proposta orçamentária para 2016 prevê investimentos de R$ 2,4 bilhões para as universidades estaduais. Apresentei duas emendas ao orçamento, que se aprovadas, acrescerão mais R$ 270 milhões para o ensino superior no Estado.

Com os resultados das medidas anticrise adotadas pelo governo do Estado, em 2016 será possível retomar obras nas universidades, entre elas a conclusão do Teatro Ouro Verde (este com recursos garantidos até dezembro deste ano) em Londrina e também as obras na UEM.

Mas insisto: o Paraná, embora seja uma das economias mais fortes do país, tem sido historicamente discriminado pela União quando se trata do ensino superior. Defendo a tese de que não podemos abrir mão das nossas universidades, mas é necessário cobrar da União recursos para continuar oferecendo um ensino superior de ponta e referência no país.

Na pauta dos reitores,  professores e servidores das universidades e na agenda dos deputados federais e senadores,  a participação da União na manutenção do ensino superior do Estado deve ser item prioritário que precisa ser debatido.

É necessário o apoio do governo federal, arcando com parte das despesas, diretamente ou por meio de repasses automáticos às universidades estaduais, para que o Estado possa ampliar o atendimento, melhorar a infraestrutura de ensino e valorizar a carreira acadêmica.

Em tempo: Não poderia deixar de manifestar aqui neste espaço a minha indignação pelos atentados em Paris e Beirute, e a minha imensa solidariedade aos que acreditam na democracia e na civilização. Por outro lado sabemos todos que a exclusão social, a intolerância e o radicalismo cego são frutos das desigualdades sociais e da ignorância.

*Luiz Cláudio Romanelli, advogado e especialista em gestão urbana, ex-secretário da Habitação, ex-presidente da Cohapar, e ex-secretário do Trabalho, é deputado pelo PMDB e líder do governo na Assembleia Legislativa do Paraná. Escreve às segundas-feiras sobre Poder e Governo.

15 Comentários

Os comentários não representam a opinião do Blog do Esmael; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

  1. Nas universidades tem muita injustiça. Tratamentos desiguais, ASSEDIO MORAL!Quem trabalha reclama, mas não tem como reverter essa situação. Como?

    Irregularidades, servidores em disfunção, CCs em excessos, falta de regulamentação.

    Concursos com problemas direcionados.

    Quem deveriam gerenciar, essa confusão? O Estado, com um grupo gestor/fiscalizador.

    A gerencia fica na mãos de prof. que fizeram concurso para docentes.

    É uma confusão!

    Necessita de readequação sim, fiscalização sim, e de um grupo capacitado para tal.

    Todas as universidade tem que estar falando a mesma lingua!

  2. Ao contrário da petralhada q comenta aqui, eu gostei do artigo. Lúcido e inteligente. Só pq é líder do governo na Alep, leva pai aqui.e de gente q nem lê o artigo- gente q não pensa…

  3. O ensino FUNDAMENTAL é a base de tudo, e no governo PSDB do Paraná e São Paulo, está sendo colocado em último plano, com o fechamento de escolas, mesmo com uma população que só cresce.

    Não deveria existir nenhuma criança sem escola, nesse estado e país. Todas as crianças teriam que ter pelo menos o ensino fundamental de qualidade.

    Deveria ser obrigatório e incentivado pelo governo.
    Mas, ainda não estamos crescendo, no quesito educação, estamos na contramão com fechamento de escolas.

    Existe uma perseguição ao ensino fundamental, que chega a ser abusivo pelo PSDB.

    Já nas universidades, quase não há controle de nada. Nem das aulas, nem da quantidade de professores, assim como das pós, com profs fazendo os pós-doc, mesmo estando quase para aposentar.

    Economizam de um lado, mas desperdiçam de outro.

    PRECISA-SE URGENTEMENTE DE EQUALIZAR, E REESTRUTURAR TANTO O FUNDAMENTAL, COMO O SUPERIOR.

  4. Esse deputado deveria ter vergonha de falar em educação depois de tudo que fez, parece piada.

  5. Esse cara falar em Educação é a mesma coisa de ouvir o Eduardo Cunha falar em corrupção. Só fez aprovar medidas contra a educação. É cara de pau.

  6. kkkk o hater do romanelli acha q engana alguém! devolva o dinheiro do meus impostos e volte ao trabalho agora! KKKK

  7. No artigo “Parabéns, atingimos a burrice máxima” a autora polariza as pessoas nas que pensam e nas que não pensam. Mas, em outro artigo, “A mais maldita das heranças do PT” a autora critica a polarização e diz: “Acho que a narrativa da polarização serve muito bem a alguns interesses, mas pode ser falha para a interpretação da atual realidade do país.” Me parece que a autora defende ideias contraditórias quando lhe apetece e interessa, bem ao estilo do Nobre Deputado Romanelli. Deve ser por isso que a citou em seu texto.

  8. Demagogo, hipócrita, patético. Discurso incoerente com as atitudes. Retórico, pomposo, nada mais.

  9. Parabéns, deputado!
    Orgulho em ver que o deputado que votei tem tanta clareza do quadro da extrema burrice que se instalou no país.
    E para combater essa burrice extrema, onde qualquer idiota vira rei nas redes sociais, só mesmo a valorização da cultura, inteligência, com menos romantização ideológica.
    E como diria Bernardo Toro – ” A educação não pertence a professores ou sindicatos. Mesmo assim, frequentemente as reivindicações e causas desses profissionais se sobrepõem ao interesse geral, e boas práticas de ensino acabam sendo postas de lado.”

  10. Deputado, na boa, para de escrever porque aqui você só toma paulada. Não serve para absolutamente nada.

  11. ESSE LIDER DO BETO RICHA ESTA SE CONTRADIZENDO EM FALAR SOBRE A IMPORTÂNCIA DAS UNIVERSIDADES ESTADUAIS, POIS O GOVERNO DELE, FECHA ESCOLAS. ESTE DEPUTADO ESTÁ ATINGINDO A BURRICE MÁXIMA.

  12. Que artigo infeliz e de pessima qualidade. PQ o PR tem mais estaduais que “a media” nacional, PQ essa anomalia? Ja que o parana baseia seu ensino nas estaduais quais sao as razoes para se pedir um maior apoio do governo federal, o ensino vai bem ou mal? Esse “Enromaneli” da a entender que a educacao nao passa de um fardo financeiro pro estado, nao fato orgulho por ser producao propria financiado com dinheiro local, autonomamente.

    Ele enquadra no perfilzinho mesquinha do tipico da mistura adv/politico; nao sabe, nao quer saber e tem raiva de que sabe. Dessa raça conservadora e reacionaria que tanto luta para se “diferenciar” o povo. Falam demais e dizem de menos: o negocio deles é o processo nao o resultado, fazer turno curto, ferias gordas com salarios obesos e se deleitar em privilegios que eles mesmos negam ao cidadao comum.

    Outro exemplo tipico, o turquinho nazista que roubou a aposentadoria dos professores enquanto que o ganha-pao da familia dele (inclusive da mae ate hj) eh o salario de governador com aposentadoria eterna (sem contar o preju nepotista pois ele emprega, como todos sabem, ate Brimo de 7 grau na sua panelinha de incompetentes).

  13. O que posso dizer… kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Infelizmente.