Coluna do Reinaldo de Almeida César: Quem pariu Caramori que o embale

Publicado em 10 junho, 2015
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Reinaldo de Almeida César, em sua coluna desta quarta, rechaça informação do Palácio Iguaçu segundo qual ele teria indicado o fotógrafo Marcelo Tchello Caramori, acusado de pedofilia, em cargo comissionado no governo do estado; colunista denuncia que estratégia de “luas pretas” palacianos era jogar em seu colo ex-assessor do governador, agora convertido em delator premiado do Gaeco, para criar uma auréola de anjo na cabeça de Beto Richa; ex-secretário da Segurança Pública do Paraná ainda devolve petardo afirmando que nomeou uma assessora inteligente, bem apessoada e de “cativante apresentação” a pedido do “andar de cima”; leia o texto e compartilhe.
Reinaldo de Almeida César, em sua coluna desta quarta, rechaça informação do Palácio Iguaçu segundo qual ele teria indicado o fotógrafo Marcelo Tchello Caramori, acusado de pedofilia, em cargo comissionado no governo do estado; colunista denuncia que estratégia de “luas pretas” palacianos era jogar em seu colo ex-assessor do governador, agora convertido em delator premiado do Gaeco, para criar uma auréola de anjo na cabeça de Beto Richa; ex-secretário da Segurança Pública do Paraná ainda devolve petardo afirmando que nomeou uma assessora inteligente, bem apessoada e de “cativante apresentação” a pedido do “andar de cima”; leia o texto e compartilhe.
Reinaldo de Almeida César*

Não tenho a menor ideia do que teria motivado o fotógrafo Tchelo Caramori a apagar a tatuagem “100% Beto Richa”, cravada com esmero em seu braço.

Também não sei porque a dublê de atriz e passista Viviane Araujo quer apagar a tatuagem feita em homenagem ao pagodeiro Belo e nem porque a cantora Kelly Key mandou tirar a tatuagem do Latino de sua panturrilha. Vai saber, mundo de celebridades.

Dizem os psicanalistas que o fenômeno de se apagar tatuagens é motivado pelos sentimentos de decepção, frustração, abandono e, como é óbvio, revela total arrependimento pelas juras de lealdade e proximidade, feitas sempre com muito afeto.

Segundo pesquisas coordenadas pela americana Myrna Armstrong, pessoas que desejavam remover tatuagens falavam em “melhorar a autoestima” ou, ainda, porque “desejavam remover uma lesão socialmente estigmatizante e que, em sua opinião, gerava descrédito”.

Não sei, insisto, que razões foram decisivas para Caramori arrancar Beto Richa do seu braço, fazendo isso certamente com muita dor no corpo e na alma.

Só sei que, uma vez mais, algum lua preta do Palácio Iguaçu achou que se conseguisse colocar Marcelo Caramori no meu colo, uma auréola de anjo pousaria sobre a cabeça do governador.

Segundo a FOLHA, em reportagem do último domingo, a Casa Civil do governo informou que teria sido eu o responsável pela indicação de Caramori.

De forma muita correta, como convém ao bom jornalismo, o jornalista Lucas Reis me entrevistou. Respondi suas perguntas com muita tranquilidade, bastando-me apenas, para isso, relatar a verdade factual.

Esqueci apenas de dizer à FOLHA que nunca estive em nenhum churrasco ou festa de arromba nas cercanias de Londrina, em qualquer fazenda em Apucarana ou em São Tomé das Letras.

Conheci Marcelo Caramori trabalhando como fotógrafo “free lancer” para a PM de Londrina, em algumas ocasiões que lá estive, sempre em viagem oficial, defendendo as ações de governo na área da Segurança.

Nunca estive com ele fora do ambiente de eventos oficiais. Desde que deixei a SESP, em 2012, nunca mais me avistei e nem tive qualquer contato com Marcelo Caramori.

Não há qualquer documento com minha assinatura propondo a nomeação de Caramori, nunca lhe deferi amizade, nem nunca trocamos telefonemas. Simples assim.

Se eu tivesse indicado Marcelo Caramori para algum cargo no governo – ou com ele tivesse tido algum tipo de convivência e amizade – não teria nenhum problema em admitir isso agora. E o faria com muita hombridade. Li em algum lugar que está na hora de homens de verdade honrarem as calças que vestem.

Porém, devo dizer que não tive, nem tenho qualquer relação com Caramori. Apenas o conheci, no período de governo. Parecia-me boa figura, simpático e dedicado profissional da fotografia. Não lhe desejo mal nenhum e nem vou negar que lhe conheci. Com sentimento cristão e à luz do Estado Democrático de Direito, desejo-lhe apenas que seja julgado em processo judicial que lhe permita ampla defesa e que tenha um julgamento justo.

Espero que seja a última vez que repito: nunca pedi ao Palácio e aos palacianos para nomear Marcelo Caramori – ou quem quer que seja – na assessoria do governador, na Casa Civil.

A recíproca não é verdadeira. Certa feita, por exemplo, pediram-me para nomear uma jovem advogada na minha assessoria pessoal, na Secretaria de Segurança.

Mas, não posso me queixar.

Foi uma boa assessora, inteligente e dedicada, sempre muito bem-apessoada e com cativante apresentação.

Se o Palácio quiser, assumo plenamente esta nomeação, por corresponder à verdade dos fatos.

Já sobre a origem na nomeação do Caramori, para compor a seleta assessoria do governador, melhor perguntar, como diz o comercial da TV, no posto de gasolina mais perto de algum barracão na estrada para Cambé.

***

Peço a compreensão dos leitores por haver sacrificado a coluna de hoje com um tema que não guarda relação com segurança pública, mas que tem muito a ver com cidadania. Colocar luzes sobre a verdade é, talvez, o primeiro passo para se exercer, com plenitude e sem medo, a vida cidadã numa democracia.

*Reinaldo Almeida César é delegado da Polícia Federal. Foi secretário da Segurança Pública do Paraná. Chefiou a Divisão de Cooperação Policial Internacional (Interpol). Escreve nas quartas-feiras sobre “Segurança e Cidadania”.

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