Governo Richa promove ‘guerra suja’ nas redes sociais para desqualificar professores em greve. Cuidado!

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O Palácio Iguaçu abriu as portas do inferno para conter a onda de simpatia em favor de educadores em greve há quase um mês no Paraná. O governo Beto Richa (PSDB) perdeu a compostura de vez ao acionar o submundo, os cibertucanos, para atacar a honra de professores e funcionários das 2,1 mil escolas no estado.

O objetivo dos palacianos é denegrir a imagem dos educadores, isolá-los, e minar o apoio que vêm recebendo da população para a causa.

Uma dessas vítimas do ciberterrorismo é a professora Lisângela Bueno Samistraro, de Paranaguá, Litoral. Conhecida como Lisa, ela relata que ciberterroristas entraram em seu perfil no Facebook e, a partir de fotos antigas, fizeram montagens como se fossem atuais. A professora conta que as mensagens foram enviadas para pais e alunos para minar o apoio à greve.

“Professora Lisângela Bueno Samistraro. Afiliada ao PT. Salário R$ 6.009,05. Curtindo uma greve. Seu filho está sem aula porque ela quer aumento”, diz o texto apócrifo cujos autores estão sendo rastreados pela APP-Sindicato.

Ao Blog do Esmael, professora Lisângela Bueno Samistraro adiantou que registrará na segunda-feira, dia 25, queixa-crime na delegacia de Crimes Cibernéticos de Curitiba.

Outra professora de Londrina, que não quis se identificar, disse que também teve fotos roubadas de seu Facebook. O texto na montagem segue o mesmo padrão: “Enquanto seu filho está sem aulas, olha o que está fazendo seu professor… que continua ganhando para não trabalhar…”.

Basta uma circulada pelas redes sociais para encontrar imagens e mensagens tentando desqualificar os professores, com imagens de contracheques falsos e textos mentirosos afirmando que os professores recebem salários de R$ 8 até R$ 12 mil por mês. No início da greve, os cibertucanos até exageraram ao exibir holerite com R$ 30 mil de salário para professor da educação básica — o que não seria uma má ideia, diga-se de passagem.

A suspeita sobre a origem das montagens contra os professores recaem sobre os cibertucanos da “Tenda Digital”, que estariam entrando nos perfis dos professores para fazer montagens com fotos antigas. Na campanha, o grupo atuou pesado pela reeleição de Beto Richa e era coordenado pelo lobista Luiz Abi Antoun, primo do governador, e Marcelo Tchello Caramori, ambos presos no início deste ano por outros crimes (corrupção e pedofilia).

A “Tenda Digital” tinha a tarefa de desqualificar e desconstruir nas redes sociais os senadores Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (PMDB), que eram adversários de Richa na corrida pelo Palácio Iguaçu.

A APP-Sindicato confirmou que vem recebendo repetidas denúncias similares e que montou uma equipe jurídica para elaborar queixas-crime contra quem produz e quem compartilha esse tipo de mentira nas redes sociais. O marco civil da internet em vigor possibilita a condenação mesmo de quem simplesmente compartilha esse tipo de informação.

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