Coluna da Gleisi Hoffmann: O massacre da educação, o machismo do PSDB e a representação contra o presidente tucano na Câmara

Publicado em 18 maio, 2015
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Senadora Gleisi Hoffmann, em sua coluna no Blog do Esmael, antecipa que vai representar contra o deputado Valdir Rossoni, presidente do PSDB do Paraná, à Procuradoria da Mulher na Câmara dos Deputados; “Chega de homem achar que pode ficar chamando mulher de vadia, vaca, biscate”, desabafa a colunista; semana passada, em Brasília, Gleisi denunciou o governador Beto Richa pelo massacre no Centro Cívico; “As vítimas na praça no dia 29 de abril foram, em sua maioria, as mulheres”, lembra; leia o texto (fotos professoras: Danielle Serejo).
Senadora Gleisi Hoffmann, em sua coluna no Blog do Esmael, antecipa que vai representar contra o deputado Valdir Rossoni, presidente do PSDB do Paraná, à Procuradoria da Mulher na Câmara dos Deputados; “Chega de homem achar que pode ficar chamando mulher de vadia, vaca, biscate”, desabafa a colunista; semana passada, em Brasília, Gleisi denunciou o governador Beto Richa pelo massacre no Centro Cívico; “As vítimas na praça no dia 29 de abril foram, em sua maioria, as mulheres”, lembra; leia o texto (fotos professoras: Danielle Serejo).
Gleisi Hoffmann*

O deputado Valdir Rossoni, presidente do PSDB do Paraná, tratou de maneira desrespeitosa e até violenta a professora Adriane Sobanski nas redes sociais neste sábado. Na falta de argumentos, mandou mensagem pelo Facebook chamando-a de “biscate”.

A atitude do deputado não é inédita. Em 2010 chamou a estudante Vanessa Brito, pelo Twitter, de “mal amada”. Seu colega de partido, que o sucedeu na presidência da Assembleia Legislativa, deputado Ademar Traiano, faz questão de postar fotos na rede ladeado por assessoras, querendo mostrar poder e virilidade.

Parece da gene de comandantes do PSDB a subjugação das mulheres. As atitudes dos deputados são coerentes com a postura do governador Beto Richa de querer justificar e tratar como normal o massacre aos professores, no dia 29 de abril. Aliás, professoras, porque as mulheres são maioria nesta categoria profissional. Assim como são maioria as trabalhadoras na educação e uma porção muito grande em outras áreas do funcionalismo. As vítimas na praça no dia 29 de abril foram, em sua maioria, as mulheres.

A violência, física ou verbal, é inaceitável. Contra a mulher, a violência é ainda pior. Quando essa agressão parte de um parlamentar, que se vale da sua condição para intimidar ou atacar a vida pessoal de alguém, temos a combinação de violência covarde com abuso de poder. Assim como quando parte de um governador, cuja obrigação é defender e dar condições de trabalho ao funcionalismo, mas autoriza a agressão, sabendo, inclusive, que se tratava de uma manifestação pacífica e majoritariamente feminina.

Atitudes como essas não podem ser ignoradas, toleradas nem chanceladas. Não podem ser reduzidas a “mal entendidos” ou ser silenciadas com pedidos vazios de desculpas, que legitimam que outras agressões sejam cometidas diariamente contra as mulheres em suas mais distintas e perversas faces.

Como diz o antropólogo Matthew Gutmann, em uma ótima entrevista que deu ontem à Folha de São Paulo: “Enquanto pensarmos que comportamentos masculinos como agressividade ou apetite sexual (como motivo para estupro) são biológicos, perderemos o foco das questões sociais e culturais, que são as que precisam ser resolvidas… Os homens só se comportarão de forma diferente se forem confrontados e punidos.”

Por isso temos de denunciar e buscar responsabilização de fatos como estes. O governo de Beto Richa, ele inclusive, já está sendo investigado por abuso e desrespeito aos direitos humanos, seja pelo Ministério Público ou pelo sistema de Direitos Humanos em várias esferas.

Assim também terá de responder o deputado Valdir Rossoni. Representarei contra ele, com outras parlamentares, à Procuradoria da Mulher na Câmara dos Deputados, para que se tomem as providências cabíveis em relação a este comportamento. Também apresentarei projeto para que o Código Penal, no seu artigo 140, possa abarcar a injúria por gênero. Chega de homem achar que pode ficar chamando mulher de vadia, vaca, biscate. O machismo deve ser punido em todas suas manifestações.

*Gleisi Hoffmann é senadora da República pelo Paraná. Foi ministra-chefe da Casa Civil e diretora financeira da Itaipu Binacional. Escreve no Blog do Esmael às segundas-feiras.

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