Coluna do Ricardo Mac Donald: “Procura-se prefeito”

Ricardo Mac Donald, em sua coluna desta sexta-feira, na terceira parte da série "A difícil arte de governar" aborda a dificuldade que municípios têm para encontrar candidatos a prefeito nas eleições; Pensava eu que poderia ser algum pacto das elites da cidade!, confessa, para logo em seguida cai na realidade citando o caso da renúncia do prefeito de São Jorge do Oeste, no Paraná, Lori Gaio, do PV, declarando incapacidade de enfrentar a burocracia e a desilusão com a limitação imposta a suas ações; segundo o capitão do prefeito Gustavo Fruet (PDT), os burocratas e gestores têm medo decidir e, logo depois, responder com seu patrimônio; A Sanepar, no passado, chegou a instituir um seguro para garantir assistência jurídica aos seus diretores em ações que viessem a responder!, relata o colunista; leia o texto.

Ricardo Mac Donald, em sua coluna desta sexta-feira, na terceira parte da série “A difícil arte de governar” aborda a dificuldade que municípios têm para encontrar candidatos a prefeito nas eleições; Pensava eu que poderia ser algum pacto das elites da cidade!, confessa, para logo em seguida cai na realidade citando o caso da renúncia do prefeito de São Jorge do Oeste, no Paraná, Lori Gaio, do PV, declarando incapacidade de enfrentar a burocracia e a desilusão com a limitação imposta a suas ações; segundo o capitão do prefeito Gustavo Fruet (PDT), os burocratas e gestores têm medo decidir e, logo depois, responder com seu patrimônio; A Sanepar, no passado, chegou a instituir um seguro para garantir assistência jurídica aos seus diretores em ações que viessem a responder!, relata o colunista; leia o texto.

Ricardo Mac Donald*

A burocracia conspira para retardar todas as ações dos poderes constituídos. O emaranhado de normas foi estudado no nascedouro, em Portugal, pelo professor Pedro Cesar Fonseca, ex-reitor da UFRS e pesquisador da FINEP, que detectou um estranho fenômeno: em várias cidades não há nenhum candidato a prefeito. Ninguém mais quer assumir esse ônus, pois, se o Executivo não age responde por omissão, se age vem o batalhão dos observantes! a questionar seus atos.

Deste lado do Atlântico, observamos que, nas últimas eleições, várias cidades tiveram candidatos únicos a prefeito. Pensava eu que poderia ser algum pacto das elites da cidade, mas, quando prefeitos, sem ter imputação alguma, começam a renunciar declarando incapacidade de enfrentar a burocracia e a desilusão com a limitação imposta a suas ações, como aconteceu no ano passado, em São Jorge do Oeste, no Paraná, quando o prefeito Lori Gaio, do PV, renunciou ao cargo, temos que parar para pensar (clique aqui).

Está se desenvolvendo no serviço público a cultura do “NàƒO”. Funciona assim: para o burocrata, o melhor é não decidir, é encerrar o expediente sem assinar nada. Passamos a andar de lado. Vários processos chegam a ter mais de 100 despachos. Então, quando o servidor tem que decidir, lhe parece melhor dizer “NàƒO”. Dessa forma, não sofrerá ações e não responderá com o seu cargo ou patrimônio.

Por fim, existe ainda significativo número de abnegados que decidem, executam e, apesar de tudo, fazem a máquina andar.
Um ex-governador do Paraná cunhou a frase Se você não tem processos, não governou!.

A Sanepar, no passado, chegou a instituir um seguro para garantir assistência jurídica aos seus diretores em ações que viessem a responder.

Um estudo da FIEP aponta que as empresas gastam 45 bilhões por ano somente com burocracia. Isso representa aproximadamente sete vezes o orçamento anual do município de Curitiba. Se examinarmos as agruras do cidadão comum, esse número dobra.

O tema é vasto, seguiremos comentando.

*Ricardo Mac Donald Ghisi é advogado, secretário Municipal de Governo de Curitiba. Escreve à s sextas no Blog do Esmael.

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