O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu o parlamento israelense nesta segunda-feira (13) ao pedir perdão ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante um discurso no Knesset, em Jerusalém.
“Dêem perdão a ele, vamos lá”, afirmou o líder americano, em tom de apelo, arrancando aplausos e reações de espanto entre os deputados.
Trump pediu perdão a Netanyahu porque o primeiro-ministro está sob julgamento por graves acusações de corrupção: ele foi indiciado em 2019 em três casos que envolvem suborno, fraude e quebra de confiança, incluindo acusações de que recebeu presentes de luxo, como champanhes e charutos, de empresários, e favoreceu regulamentos e concessões em troca de cobertura favorável da mídia.
Netanyahu nega as acusações, afirma que trata-se de uma “caça às bruxas” política, e seu julgamento vem sofrendo sucessivos adiamentos, especialmente em razão da instabilidade regional.
Trump discursou em uma sessão especial que marcou o anúncio do cessar-fogo definitivo entre Israel e Hamas, mediado por Washington.
“Hoje os céus estão calmos, as armas estão silenciosas, as sirenes estão paradas, o sol nasce em uma Terra Santa que finalmente está em paz. Os reféns estão de volta! É tão bom dizer isso”, declarou o presidente, em um tom de celebração e triunfo diplomático.
Durante o evento, Trump elogiou Netanyahu, descrevendo-o como “um homem forte, mas não o mais fácil dos parceiros”.
A plateia reagiu com risos e aplausos discretos.
O primeiro-ministro, visivelmente emocionado, manteve-se em silêncio enquanto o presidente americano destacava o papel de Israel no acordo de paz.
A cerimônia, no entanto, também foi marcada por protestos.
Deputados da oposição foram expulsos do plenário após exibirem cartazes com os dizeres “Reconhecer a Palestina”.
O gesto, transmitido ao vivo pelas emissoras israelenses, gerou tensão e dividiu as galerias do Knesset.
O presidente israelense Isaac Herzog, que também estava presente, foi citado diretamente por Trump, que pediu “perdão a ele e a todos os que carregam o peso desta guerra”.
O comentário foi interpretado como um gesto simbólico de reconciliação após dois anos de conflito entre Israel e Hamas, que deixou milhares de mortos em Gaza.
O cessar-fogo anunciado no domingo (12) por Trump incluiu a libertação dos últimos 20 reféns israelenses vivos e a devolução dos corpos de 28 vítimas mantidas em Gaza.
O acordo prevê ainda a retirada gradual das tropas israelenses e a abertura de corredores humanitários supervisionados pela ONU e pelos EUA.
A presença de Trump no Knesset, primeira de um presidente americano em meio a um conflito encerrado, foi tratada como um ato histórico.
O republicano busca consolidar sua imagem como “artífice da paz no Oriente Médio”, enquanto se prepara para uma nova fase diplomática focada no Irã e na Síria.
O gesto teatral de Trump, pedir perdão a Netanyahu em nome da guerra, reforça sua estratégia de protagonismo global.
Mas o perdão simbólico que propôs no Knesset ainda precisa se traduzir em reconciliação real entre israelenses e palestinos.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




