Trump poderá ser investigado pelo BC, diz líder do PT

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou oficialmente o Banco Central do Brasil para que investigue operações suspeitas no mercado de câmbio ocorridas no dia 18 de julho de 2025, horas antes do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de tarifas de 50% a produtos brasileiros. Segundo o petista, há indícios de que agentes econômicos agiram com acesso prévio à informação sigilosa e lucraram com a oscilação do dólar, numa movimentação que pode configurar uso indevido de informação privilegiada.

A petição protocolada nesta manhã solicita que o BC identifique os comitentes finais dessas transações, seus horários, volumes e intermediários financeiros. O documento também exige que os dados sejam encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), ao Ministério Público Federal e ao Supremo Tribunal Federal.

A denúncia parte de reportagens que revelaram uma intensa movimentação de compra e venda de dólares na véspera do tarifaço de Trump, sinalizando possível vazamento deliberado da medida. “Se confirmadas, tais operações representam ilícitos de gravidade extrema, com impacto cambial e institucional”, alertou Lindbergh.

O parlamentar cita ainda manifestação da Advocacia-Geral da União no Inquérito nº 4995/DF (Pet 14.129), que investiga um suposto complô de agentes políticos brasileiros para pressionar o Poder Judiciário nacional através de medidas econômicas impostas por potências estrangeiras. A AGU aponta que há evidências de tentativa de coação institucional por meio de sabotagem cambial, numa possível articulação antidemocrática com ramificações nos Estados Unidos.

A ofensiva petista mira diretamente na suspeita de que o chamado “tarifaço de Trump” tenha sido parte de uma estratégia coordenada para fragilizar o Brasil internamente e, simultaneamente, gerar lucros a operadores privilegiados — inclusive políticos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao acionar o BC, Lindbergh defende que a soberania econômica do Brasil está em risco. “Não se pode permitir que o sistema financeiro seja instrumentalizado em nome de projetos autoritários”, afirmou.

A iniciativa reforça a ofensiva institucional do governo contra as investidas internacionais que afetam diretamente a estabilidade do país e pode abrir caminho para uma inédita responsabilização de um presidente estrangeiro por impactos no mercado brasileiro.

Nunca é demais recordar que Bolsonaro está usando tornozeleira eletrônica a pedido do líder do PT, que, no dia 23 de maio, entrou com uma representação criminal contra Eduardo Bolsonaro pelos crimes de atentado à soberania nacional, coação no curso do processo e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

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