Bullying de Trump fortalece Lula, diz jornal americano Washington Post

O Blog do Esmael antecipou: os ataques de Donald Trump contra o Brasil podem, paradoxalmente, fortalecer a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Neste domingo, 20 de julho, o jornal The Washington Post endossou essa análise ao afirmar que o “bullying praticado por Trump contra o Brasil está saindo pela culatra”.

O artigo, assinado pelo colunista Ishaan Tharoor, aponta que a ofensiva do governo Trump, que incluiu tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sanções ao ministro Alexandre de Moraes, acabou unindo o país em torno de Lula, inclusive setores antes resistentes ao presidente.

A publicação sustenta que a retaliação dos Estados Unidos ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF, bem como o apoio explícito de Trump ao ex-presidente brasileiro, deram a Lula um trunfo político inesperado. Segundo o jornal, o episódio criou “um presente antecipado de Natal” para o governo brasileiro, enviado diretamente da Casa Branca.

“O que era para ser uma demonstração de força do MAGA e sua franquia brasileira se transformou em um presente político para Lula”, escreveu Tharoor, citando ainda o historiador brasileiro André Pagliarini.

O texto também destaca que as tarifas de Trump afetaram diretamente setores empresariais brasileiros, que, historicamente, tendem a apoiar candidatos de direita. “As tarifas também prejudicam os interesses das elites empresariais, que costumam ser os maiores impulsionadores da oposição conservadora a Lula”, diz o Post.

O isolamento de Bolsonaro

Enquanto isso, Bolsonaro enfrenta medidas restritivas cada vez mais severas no Brasil. Na sexta-feira, 18, a Polícia Federal realizou buscas em endereços do ex-presidente, que foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica e está proibido de sair de casa em determinados horários e de manter contato com diplomatas ou investigados.

A resposta da Casa Branca foi imediata: revogou o visto de entrada de Moraes e de familiares próximos, em clara retaliação às decisões judiciais brasileiras. O senador republicano Marco Rubio classificou as ações do STF como “caça às bruxas”.

Mas o gesto gerou desconforto entre diplomatas americanos. Um alto funcionário do Departamento de Estado declarou ao Washington Post, sob anonimato, que “é difícil conceber uma ação mais prejudicial à credibilidade dos EUA na promoção da democracia do que sancionar um juiz da Suprema Corte de um país estrangeiro”.

Lula ganha fôlego político

O presidente Lula, por sua vez, respondeu com dureza. Em entrevista à CNN, ironizou Trump ao dizer que “se ele fosse brasileiro, já estaria sendo julgado”. Nos comícios, Lula passou a usar um boné azul com os dizeres “O Brasil pertence aos brasileiros”, paródia direta dos slogans do MAGA.

Ainda segundo o Post, aliados de Lula enxergam na crise um impulso para as eleições de 2026, quando a esquerda enfrentará uma disputa acirrada. Pesquisas recentes mostrariam melhora nos índices de aprovação do governo após o agravamento da tensão com Washington.

O editorial do jornal O Estado de S. Paulo, citado na matéria, resumiu o novo cenário: “Há dois lados para escolher: o do Brasil ou o de Bolsonaro. Os dois caminhos são diametralmente opostos.”

Nesta segunda-feira, 21, o STF ainda proibiu que redes sociais exibam entrevistas com Bolsonaro sob pena de levar o ex-presidente à prisão.

Contexto geopolítico

O episódio remonta, segundo o jornal americano, a uma inversão histórica. Nos anos 1980, os EUA pressionaram regimes autoritários latino-americanos, inclusive o Brasil, a caminhar para a democracia. Agora, Trump atua na contramão, ao defender um ex-presidente acusado de tentativa de golpe.

A crise escancarou a divisão diplomática entre os dois países e reposicionou o Brasil no tabuleiro geopolítico regional, como potência disposta a não se curvar ao novo autoritarismo travestido de protecionismo.

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