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Moraes proíbe redes de exibirem Bolsonaro e ameaça com prisão

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu nesta segunda-feira (21) a veiculação de entrevistas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais, em qualquer formato, áudio, vídeo ou texto. A decisão endurece ainda mais as restrições impostas a Bolsonaro, que já cumpre medidas cautelares desde sexta-feira (18), incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e toque de recolher.

No despacho, Moraes alerta que a transmissão de entrevistas nas redes, mesmo por terceiros, configura burla à proibição do uso dessas plataformas e poderá levar à imediata prisão do ex-presidente. O ministro foi explícito:

“Não podendo o investigado se valer desses meios para burlar a medida, sob pena de imediata revogação e decretação da prisão.”

A decisão ocorre em meio ao julgamento da Primeira Turma do STF, que analisa a legalidade das medidas cautelares impostas a Bolsonaro. Já há maioria formada a favor da decisão, com os votos de Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Apenas Luiz Fux ainda não votou.

Entrevistas canceladas

Diante da nova decisão, o PL cancelou uma coletiva de imprensa com Bolsonaro que ocorreria nesta tarde na Câmara dos Deputados. Segundo a assessoria do partido, a suspensão se deu por receio de violar as medidas impostas pelo STF.

Bolsonaro também cancelou entrevista ao vivo que daria nas redes sociais, segundo o portal Metrópoles. Em entrevistas anteriores, o ex-presidente chamou Moraes de “ditador-mor do Brasil” e afirmou que está sendo perseguido para não disputar as eleições de 2026.

Prisão virtual e bloqueio de imagem

A nova decisão de Moraes amplia o cerco à atuação pública de Bolsonaro. Embora juridicamente ainda não esteja preso, o ex-presidente está sob vigilância 24 horas por dia, impedido de dar entrevistas em redes, sair de casa à noite ou nos fins de semana, e de manter contato com diplomatas, outros investigados e até com o próprio filho, Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA.

A Polícia Federal afirma que Jair e Eduardo atuaram para pressionar o governo americano a impor sanções ao Brasil, visando desestabilizar o STF e o processo judicial que corre contra Bolsonaro por tentativa de golpe.

Pen drive irrelevante, mas pressão diplomática continua

A PF concluiu a perícia no pen drive apreendido no banheiro da casa de Bolsonaro e considerou o conteúdo irrelevante. O dispositivo havia sido encontrado durante uma operação autorizada por Moraes. No entanto, outros elementos continuam sob análise, como o celular do ex-presidente e documentos que indicam articulações internacionais contra o STF, incluindo cópias de ações patrocinadas pela plataforma Rumble e pela empresa de mídia ligada a Donald Trump.

censura-ou-contencao”>Censura ou contenção?

A decisão de Moraes desperta debate sobre os limites da liberdade de expressão no contexto de investigações criminais. A proibição de entrevistas públicas, mesmo que não transmitidas pelo próprio investigado, é vista por aliados de Bolsonaro como censura. Para o STF, trata-se de uma medida cautelar necessária para impedir interferências no curso das investigações e evitar fuga.

Enquanto isso, Bolsonaro segue proibido de se comunicar com o mundo, a não ser pela voz de seus advogados e porta-vozes políticos. Um silêncio forçado que expõe os limites da democracia sob tensão judicial e o cerco cada vez mais fechado ao ex-presidente.

Com receio de que Bolsonaro seja preso entre o fim de agosto e a Semana da Pátria, aliados intensificam o discurso de mobilização. Silas Malafaia, principal voz do bolsonarismo no momento, já convocou uma manifestação para o dia 3 de agosto.

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