8 de dezembro de 2015
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Picciani: “Se Temer era decorativo, por que quis ser vice?”

via Brasil 247

Citado na carta “confidencial” do vice-presidente, Michel Temer, à presidente Dilma Rousseff, o líder do PMDB na Câmara, deputado Leonardo Picciani (RJ), considera que o documento revela que o seu correligionário não tinha interesse no “fortalecimento da bancada”.

Depois de ter se queixado de ter sido apenas um “vice decorativo”, Temer afirma ter sido “ignorado” nas tratativas e reclamou que Dilma o substituiu nas negociações pelo líder Picciani e Jorge Picciani, pai do deputado.

“A carta esclarece muitos pontos. Vai ter uma repercussão forte dentro da bancada. Ficar claro que o Michel Temer não queria o fortalecimento da bancada. Ele ficou incomodado. Ele fala contra a presidente ter conversado comigo e ter indicado os dois deputados ministros. E em todo momento não defende a posição da bancada, mas dos seus aliados pessoais. Ele mesmo frisa que o Moreira Franco, o Eliseu Padilha e Edinho Araújo eram pessoas dele”, disse Picciani ao Estado.

Na reforma ministerial, o parlamentar do Rio conseguiu emplacar os deputados Marcelo Castro (PMDB-PI) como ministro da Saúde, e Celso Pansera (PMDB-RJ) para a pasta da Ciência e Tecnologia.

“Não fui eu quem fui procurar a presidente. Não fui eu que foi pedir nada. Ela ofereceu e eu apenas cumpri o papel de líder transmitindo à bancada os convites que foram feitos. E decidimos após consultar a maioria. Em momento nenhum eu pedi que substituíssem os aliados dele por membros da bancada”, afirmou Picciani.

O deputado disse estranhar a queixa de Temer, que se denominou apenas como “vice decorativo” no primeiro mandato. Segundo Temer, jamais ele ou o PMDB foram “chamados para discutir formulações econômicas ou políticas do País”.

“Se Temer se julgava um vice decorativo nos quatro primeiros anos, por que ele depois conduziu o partido, mesmo rachado, a permanecer na aliança? Se ele se sentia um vice decorativo por que continuar dessa forma (na chapa presidencial do PT)?”, questionou o parlamentar.

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8 de dezembro de 2015
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“Pessuti” de Dilma envia carta com queixas de ser “vice decorativo”

O vice-presidente da República, Michel Temer, enviou carta à presidenta Dilma Rousseff em que aponta “fatos reveladores” da desconfiança que o governo possui em relação a ele e ao PMDB.

Com a abertura do processo de impeachment pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB), ficou notória a movimentação e a inquietação de Temer ante a possibilidade de assumir a presidência sem ter sido eleito para tal.

Em sua coluna de ontem aqui no Blog do Esmael, a senadora Gleisi Hoffmann (PT) apontou quem seriam os interessados em concretizar o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff (PT). Segundo ela, o peemedebista “está perdendo a razão para a possibilidade de assumir o governo”.

Já o ex-ministro Ciro Gomes carimbou na testa do vice de Dilma a definição de que Temer seria o “capitão do golpe”, articulando o impeachment da presidenta nos bastidores do Congresso.

Por meio do Twitter, a assessoria de Temer informou que a carta foi enviada em “caráter pessoal” a Dilma, e que o vice-presidente se surpreendeu com a divulgação do texto, “em face da confidencialidade”. Ainda segundo os assessores, o vice exortou à reunificação do país, “como já o tem feito em pronunciamentos anteriores”.

Leia a carta na íntegra:

São Paulo, 07 de Dezembro de 2.015.

Senhora Presidente,

“Verba volant, scripta manent”. [As palavras voam, os escritos se mantêm]

Por isso lhe escrevo. Muito a propósito do intenso noticiário destes últimos dias e de tudo que me chega aos ouvidos das conversas no Palácio.

Esta é uma carta pessoal. É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo.

Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade. Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos.

Lealdade institucional pautada pelo art. 79 da Constituição Federal. Sei quais são as funções do Vice. À minha natural discrição conectei aquela derivada daquele dispositivo constitucional.

Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo.
Basta ressaltar que na última convenção apenas 59,9% votaram pela aliança.

E só o fizeram, ouso registrar, por que era eu o candidato à reeleição à Vice.

Tenho mantido a unidade do PMDB apoiando seu governo usando o prestígio político que tenho advindo da credibilidade e do respeito que granjeei no partido.

Isso tudo não gerou confiança em mim, Gera desconfiança e menosprezo do governo.

Vamos aos fatos. Exemplifico alguns deles.

1. passei os quatro primeiros anos de governo como vice decorativo. a senhora sabe disso. perdi t Leia mais