Grupo de 16 eurodeputados pede sanções da UE contra Moraes. Descubra os bastidores, as motivações e o impacto político desse movimento
A ofensiva internacional contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ganhou um novo e barulhento capítulo nesta semana: dezesseis eurodeputados da ultradireita assinaram uma carta oficial solicitando à União Europeia que imponha sanções ao magistrado brasileiro.
O documento foi endereçado à Alta Representante para Relações Exteriores da UE, a estoniana Kaja Kallas, e pede medidas com base na chamada Lei Magnitsky Europeia, que autoriza o bloco a sancionar indivíduos estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos. Entre as punições solicitadas estão o congelamento de bens na Europa e a proibição de entrada nos países membros do bloco.
A articulação do pedido foi conduzida por membros de dois grupos parlamentares da extrema direita no Parlamento Europeu: o ECR (Conservadores e Reformistas Europeus) e o recém-formado Patriots for Europe, liderado por Viktor Orbán (Hungria) e com apoio de Matteo Salvini (Itália) e André Ventura (Portugal). A movimentação surge poucos dias após os Estados Unidos, sob governo de Donald Trump, incluírem Moraes em sua própria lista de sanções unilaterais, acusando o ministro de censura e abuso de autoridade.
Quem são os signatários e o que querem?
Entre os signatários da carta estão políticos notoriamente ligados a plataformas ultraconservadoras, nacionalistas e eurocéticas. São figuras que compartilham alinhamento ideológico com Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados, defendendo pautas como “liberdade de expressão irrestrita”, combate ao “globalismo” e crítica às cortes constitucionais.
Não é a primeira vez que figuras da extrema direita europeia disseminam as narrativas do bolsonarismo. Desde 2019, parlamentares como Hermann Tertsch (Espanha) e Ryszard Legutko (Polônia) têm apoiado publicamente as campanhas de descredibilização das instituições brasileiras, especialmente o STF.
A carta enviada a Kaja Kallas faz referência direta aos inquéritos das fake news e do 8 de janeiro conduzidos por Moraes, acusando o ministro de perseguir adversários políticos e violar “direitos fundamentais de liberdade de opinião e imprensa” no Brasil.
Bastidores da diplomacia: silêncio estratégico da UE
Até o momento, a Comissão Europeia não se manifestou oficialmente sobre o pedido. Nos bastidores, entretanto, diplomatas brasileiros em Bruxelas relatam desconforto com a tentativa de importação da guerra política brasileira para o bloco europeu. Fontes ligadas ao Itamaraty consultadas sob reserva afirmam que o governo Lula já mobilizou interlocutores para reforçar a soberania do Judiciário brasileiro e destacar que Moraes age no estrito cumprimento das leis e da Constituição Federal.
A Alta Representante Kaja Kallas, alvo da carta, é conhecida por sua firme postura contra autoritarismos, especialmente da Rússia e da China, mas ainda não indicou se considera pertinente aplicar o mesmo tipo de medida contra um juiz da maior corte do Brasil.
Para o Blog do Esmael, a UE dificilmente avançará com sanções contra Moraes sem forte consenso diplomático, o que hoje não existe. A carta da ultradireita é mais um ato simbólico do que uma ameaça real e imediata, embora possa ser usada como instrumento de pressão política.
Pressão externa fortalece ou isola Bolsonaro?
A tentativa de setores internacionais de atacar Moraes pode ter efeitos colaterais opostos aos pretendidos. De um lado, a base bolsonarista ganha novo combustível para alimentar a tese de que o ex-presidente Jair Bolsonaro é vítima de uma perseguição global orquestrada por elites progressistas. De outro, a articulação com figuras como Orbán, Ventura e Salvini pode isolar ainda mais Bolsonaro no debate internacional, justamente por estar vinculado aos setores mais extremistas do cenário político global.
A narrativa da “ingerência externa” pode reacender o debate interno sobre soberania nacional, independência dos poderes e os limites da cooperação internacional em temas jurídicos. A reação do governo Lula e do STF, por ora, tem sido de contenção e defesa institucional.
Resta saber se a UE manterá sua tradição de respeitar as jurisdições nacionais ou se cederá à pressão retórica de um grupo político em franca ofensiva contra tribunais, mídia e instituições democráticas.
Você acredita que sanções externas contra juízes brasileiros representam uma ameaça à soberania nacional?
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




