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Sanções dos EUA contra Moraes escancaram ofensiva de Trump contra o STF e o Brasil
O governo de Donald Trump deu um passo inédito e explosivo nesta quarta-feira (30) ao sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na chamada Lei Global Magnitsky, que permite punições a autoridades estrangeiras acusadas de violações graves de direitos humanos.
A medida acende um novo pavio diplomático entre Washington e Brasília, ao mesmo tempo em que escancara a influência direta do bolsonarismo, principalmente de Eduardo Bolsonaro, na política externa americana.
Publicada no site oficial do Departamento do Tesouro dos EUA, a sanção determina o bloqueio de bens e ativos de Moraes em território americano e proíbe operações em dólar com empresas ou entidades vinculadas a ele, incluindo uso de bandeiras como Mastercard e Visa.
Trump usa Lei Magnitsky como arma política
Criada em 2012 para punir violações como as cometidas pelo regime russo, a Lei Magnitsky tem caráter extraterritorial e foi agora instrumentalizada para pressionar o Judiciário brasileiro, na esteira de ações de Moraes contra aliados de Trump e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na nota oficial, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, acusa Moraes de liderar uma “caça às bruxas ilegal” contra cidadãos americanos e brasileiros. A referência direta a Bolsonaro e a plataformas como Rumble, Truth Social e X (ex-Twitter) confirma a motivação política da medida.
“De Moraes é responsável por uma campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias e processos politizados, inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro”, afirma o comunicado do Tesouro.
Eduardo Bolsonaro, Musk e o lobby contra o STF
A sanção é resultado de meses de lobby conduzido por Eduardo Bolsonaro em Washington. O filho de Jair Bolsonaro articulou encontros com congressistas trumpistas, CEOs de redes sociais e até representantes do governo Trump para convencer os EUA de que Moraes representa uma ameaça à liberdade de expressão.
Segundo fontes diplomáticas, o relatório que embasou a sanção cita ações de Moraes contra 14 pessoas e empresas americanas, incluindo Jason Miller (ex-assessor de Trump), o bilionário Elon Musk, dono do X, e Chris Pavlovski, CEO do Rumble.
Além disso, as empresas Truth Social e Rumble movem ações na Justiça americana contra Moraes, acusando o ministro de censura e violação de soberania.
STF reage; governo Lula denuncia ingerência
A decisão americana gerou forte repúdio em Brasília. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nas redes que a sanção é “um ato violento e arrogante” do governo Trump.
“Mais um capítulo da traição da família Bolsonaro ao país. Nenhuma Nação pode se intrometer no Poder Judiciário de outra. Solidariedade ao ministro e ao STF”, escreveu a ministra.
Na prática, a Casa Branca rompe com o princípio da não interferência entre poderes e instituições democráticas, ao sancionar um juiz de Suprema Corte apenas por discordar de suas decisões judiciais.
Embate institucional se transforma em crise internacional
A crise foi agravada em 18 de julho, quando os EUA revogaram o visto de entrada de Moraes e de seus familiares. Agora, com a sanção oficial, o cerco financeiro se soma ao diplomático, inaugurando uma nova fase de hostilidade entre o governo Trump e o Judiciário brasileiro.
O ataque a Moraes também gera mal-estar dentro dos próprios EUA. Um funcionário do Departamento de Estado, sob anonimato, afirmou ao Washington Post que a medida enfraquece a posição americana na promoção global da democracia.
Projeto trumpista quer banir magistrados “censores”
Tramita na Câmara dos EUA o projeto “No Censors on Our Soil Act”, que proíbe a entrada de estrangeiros que “tentem censurar cidadãos americanos em território dos Estados Unidos”. O texto tem apoio de trumpistas e foi aprovado por comissão equivalente à CCJ brasileira. Ainda não há data para votação no plenário.
O que está em jogo
A ofensiva de Trump contra Moraes não é apenas uma retaliação jurídica. É um movimento estratégico para enfraquecer o STF, pressionar o Brasil e favorecer a retórica eleitoral bolsonarista para 2026. O ministro do STF virou símbolo de resistência institucional, mas também se tornou alvo preferencial de uma coalizão ultraconservadora transnacional.
Ao aplicar sanções com base em uma lei voltada à punição de ditadores e torturadores, os EUA colocam um ministro da mais alta corte brasileira ao lado de violadores dos direitos humanos reconhecidos internacionalmente, uma equiparação que revela mais sobre os métodos de Trump do que sobre a atuação de Moraes.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




