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Pesquisa divulgada nesta quarta-feira aponta empate técnico a quatro dias da eleição; na espontânea, candidatos empatam em 40%, enquanto indecisão dobra e chega a 14%.
A eleição presidencial de 2026 chega à reta final com uma disputa voto a voto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) mostra o candidato do PL com 45% das intenções de voto, contra 44% do presidente, uma diferença de apenas um ponto percentual. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados a quatro dias do segundo turno, marcado para domingo (25).
O levantamento foi contratado pelo jornal O Globo e pela TV Globo e ouviu 2.154 pessoas entre os dias 17 e 20 de outubro. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-08535/2026, tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais.
Em relação à rodada anterior, Flávio Bolsonaro oscilou um ponto para baixo, enquanto Lula manteve o percentual. Brancos e nulos somam 9%, e 2% dos entrevistados não souberam responder.
Indecisos dobram na pesquisa espontânea
O dado que chama a atenção nesta rodada aparece na pesquisa espontânea, em que os entrevistados respondem sem receber uma lista prévia de candidatos. Nesse cenário, Lula e Flávio Bolsonaro registram 40% cada.
O percentual de indecisos, porém, dobrou em uma semana e chegou a 14%. O número indica que uma parcela relevante do eleitorado ainda não declara espontaneamente sua escolha, mesmo com a campanha na fase decisiva.
A diferença entre as modalidades espontânea e estimulada importa. Na estimulada, os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados; na espontânea, a resposta depende de o eleitor mencionar o candidato por conta própria. Os resultados ajudam a observar dimensões diferentes da intenção de voto, mas não permitem concluir, isoladamente, que todos os indecisos estejam prestes a mudar de lado.
Debate, entrevistas e fim da escala 6×1 entram na conta
A pesquisa foi realizada depois de acontecimentos importantes da campanha. Entre eles estão o debate entre os presidenciáveis na Band, no domingo (18), as entrevistas concedidas à Globo e a promulgação do fim da escala 6×1, bandeira defendida por Lula.
O levantamento também atravessou dias de intensificação das mobilizações nas ruas e nas redes sociais. Ainda assim, os números não permitem atribuir a oscilação de um candidato a um episódio específico. Para medir o efeito de cada acontecimento, seria necessário comparar dados e períodos de coleta, além de considerar a margem de erro.
O debate da Band recebeu críticas das próprias campanhas, que passaram a ajustar a estratégia para o próximo encontro na Globo, previsto para sexta-feira (23). A avaliação negativa de parte do público sobre o confronto também entrou nas discussões internas das equipes.
Bolsa Família vira tema central da reta final
Outro eixo da disputa é o Bolsa Família. A campanha de Lula passou a explorar declarações de Daniella Marques, coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro, para sustentar que uma eventual vitória do adversário poderia colocar o programa social em risco.
A afirmação é parte da disputa política e precisa ser examinada à luz das propostas oficiais de cada candidatura. Declarações de campanha, por si só, não comprovam que um benefício será encerrado ou mantido. O eleitor precisa distinguir o que está previsto nos programas, o que foi efetivamente anunciado e o que dependeria de decisões posteriores.
O tema tem peso eleitoral porque envolve a renda de milhões de famílias e se conecta diretamente ao custo de vida. Na reta final, a disputa não se limita aos percentuais das pesquisas: inclui a capacidade de cada candidato convencer o eleitor sobre o futuro de políticas públicas que afetam o cotidiano.
Um ponto separa os candidatos, mas a eleição continua aberta
Com Flávio Bolsonaro em 45% e Lula em 44% na pesquisa estimulada, a Quaest descreve uma disputa sem liderança estatisticamente definida. A diferença está dentro da margem de erro, e o resultado não deve ser interpretado como garantia de vitória de qualquer um dos candidatos.
A pesquisa também não substitui a apuração oficial. Até domingo, novas declarações, acontecimentos políticos e a decisão dos eleitores que ainda não consolidaram sua escolha podem influenciar a reta final, embora não seja possível antecipar a direção nem a dimensão de eventuais mudanças.
O dado mais importante é que a disputa segue apertada a quatro dias da votação. Com empate técnico na modalidade estimulada e empate numérico na espontânea, Lula e Flávio Bolsonaro chegam à última etapa da campanha diante de um eleitorado dividido e de uma parcela de indecisos que merece atenção.
A urna, e não a pesquisa, dará a resposta definitiva no segundo turno de domingo (25).

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




