A quatro dias do segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro apresentam propostas econômicas voltadas a públicos diferentes, mas que colocam a mesma pergunta no centro da campanha: quanto custam as promessas e de onde virá o dinheiro?
Lula anunciou que enviará ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição para garantir transporte coletivo gratuito aos fins de semana. A medida dependerá de aprovação legislativa e de um modelo de financiamento que ainda precisa ser detalhado e implementado.
Reportagem da Folha informou que o governo pretende destinar 25% das emendas parlamentares obrigatórias à tarifa zero. Com base no orçamento de 2027, o percentual corresponderia a cerca de R$ 11,2 bilhões. A proposta ainda não é uma política em vigor: depende da tramitação da PEC e da definição das regras para distribuir os recursos.
Flávio promete retomar benefício ao setor de eventos
Flávio Bolsonaro, por sua vez, prometeu retomar o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), criado durante a pandemia para apoiar empresas afetadas pelas restrições sanitárias. A promessa é direcionada a um segmento empresarial específico e implicaria reabrir a discussão sobre renúncias tributárias, critérios de acesso e duração do benefício.
O Perse e a tarifa zero são medidas diferentes: uma envolve benefício fiscal a empresas de eventos; a outra, financiamento público para reduzir o custo do transporte urbano aos usuários. Não é correto comparar seus valores sem estimativas equivalentes, escopo definido e dados atualizados.
O que o eleitor precisa saber
Para avaliar as propostas, há quatro perguntas objetivas: qual é o público beneficiado; qual é o custo estimado; qual fonte de recursos será usada; e quais etapas legais precisam ser cumpridas antes de a medida chegar à população.
No caso da tarifa zero, o uso de emendas parlamentares pode gerar disputa com deputados e senadores sobre a destinação de recursos hoje indicados para outras políticas. No caso do Perse, a retomada exige explicar o alcance do incentivo tributário, os setores elegíveis e os mecanismos para avaliar resultados.
As duas campanhas tentam apresentar respostas para problemas econômicos na reta final. Mas anúncio de campanha não equivale a dinheiro disponível, lei aprovada ou benefício implementado. O eleitor precisa distinguir compromisso político de medida com financiamento, cronograma e regras públicas.
Com o segundo turno marcado para domingo (25), a disputa econômica não se resume a quem promete mais. Também envolve a capacidade de explicar quem paga, quem recebe e quais escolhas orçamentárias serão necessárias.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




