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A Polícia Federal investiga uma possível transferência de US$ 180 mil, cerca de R$ 900 mil, atribuída ao advogado Willer Tomaz e relacionada ao ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Maurício Fortunato, segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (21).
De acordo com a reportagem, a referência ao valor apareceu em anotações encontradas na nuvem do celular de Tomaz, junto às expressões “corregedoria” e “diretor de operações”. Fortunato já havia sido indiciado sob suspeita de participação na chamada Abin Paralela, investigação sobre possível uso irregular da estrutura de inteligência durante o governo Jair Bolsonaro.
Investigação segue sob sigilo
A reportagem informa que, durante buscas, a PF apreendeu US$ 171,8 mil em dinheiro com Fortunato. A coincidência entre a quantia apreendida e a anotação sobre uma possível transferência é um dos pontos que precisam ser esclarecidos pelos investigadores. A existência de uma anotação, por si só, não comprova que a transferência tenha ocorrido nem demonstra a finalidade de eventual pagamento.
Segundo o relato publicado, Tomaz e Fortunato negam se conhecer e afirmam não ter mantido relações profissionais ou pessoais. As defesas dos envolvidos também contestam suspeitas relacionadas ao caso. As apurações tramitam sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Ligação política exige cautela
Willer Tomaz é apontado pela reportagem como amigo de Flávio Bolsonaro. Essa relação política ou pessoal não comprova participação do senador em uma eventual operação financeira. Qualquer vínculo entre os fatos e o candidato precisa ser demonstrado por documentos e atos oficiais, e não presumido a partir de proximidade.
O caso tem relevância pública porque envolve suspeitas sobre movimentação de dinheiro, um ex-dirigente da inteligência e investigações relacionadas à Abin Paralela. Mas as suspeitas devem permanecer identificadas como suspeitas enquanto não houver conclusão judicial ou comprovação documental.
O Blog do Esmael acompanhará eventuais manifestações oficiais da Polícia Federal, do STF e das defesas. Até que novos elementos sejam divulgados, não é possível afirmar que a transferência ocorreu, nem atribuir responsabilidade criminal aos citados.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




