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Quem ganha com a suspensão de Deltan? Direita disputa votos

Os votos de Deltan Dallagnol (Novo) viraram objeto de disputa antes mesmo de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dar a palavra final sobre sua candidatura ao Senado pelo Paraná. Desde que o ministro Floriano de Azevedo Marques suspendeu sua campanha na noite de sábado, 19 de setembro, trackings internos e informações de bastidor obtidos pelo Blog do Esmael apontam movimentação principalmente entre candidatos que disputam o mesmo eleitorado conservador.

Filipe Barros (PL), Alexandre Curi (Republicanos) e Cristina Graeml (PSD) aparecem entre os nomes citados nessas avaliações internas como possíveis beneficiários de uma eventual dispersão dos votos de Deltan.

Não se trata de pesquisa eleitoral registrada.

Os trackings mencionados ao Blog são levantamentos das próprias campanhas, sem metodologia pública, margem de erro conhecida ou amostra que possa ser auditada. Somam-se a eles os palpites dos tradicionais línguas-pretas que frequentam o Centro Cívico, a Boca Maldita e os comitês eleitorais.

Servem para mostrar a movimentação das campanhas. Não servem para decretar para onde irá o voto do eleitor.

Mas uma coisa já mudou desde sábado: os adversários começaram a fazer contas.

Deltan continua na urna, mas não pode fazer campanha

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Foto ilustrativa/Blog do Esmael

A decisão de Floriano suspendeu os atos de campanha de Deltan, a propaganda eleitoral gratuita, sua participação em debates e a utilização de recursos públicos dos fundos Eleitoral e Partidário enquanto o TSE analisa o recurso contra seu registro.

A liminar não retirou seu nome da urna.

Deltan continua com o registro deferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) enquanto o recurso tramita no TSE. A suspensão atinge sua campanha, não produz, por si só, o cancelamento definitivo da candidatura.

Essa diferença jurídica é central.

Deltan ainda pode vencer a batalha judicial.

Eleitoralmente, entretanto, ficar impedido de pedir votos a menos de duas semanas do primeiro turno produz uma situação inédita na disputa paranaense: seus concorrentes já observam um eleitorado que até sábado tinha candidato em plena campanha.

Filipe, Curi e Cristina entram na conta

Quem ganha com a suspensão de Deltan? Direita disputa votos
Filipe, Alexandre e Cristina. Fotos: reprodução

Filipe Barros aparece com frequência nos trackings e relatos de bastidor obtidos pelo Blog quando a pergunta é para onde poderia migrar parte do eleitorado de Deltan.

Existe uma explicação objetiva para essa hipótese.

Deltan e Filipe construíram uma dobradinha eleitoral durante a campanha. Como o Paraná elegerá dois senadores em 4 de outubro, os dois candidatos trabalharam para que o eleitor conservador utilizasse seus dois votos dentro do mesmo campo político.

Na propaganda eleitoral, essa associação foi explícita.

Se uma parcela do eleitorado concluir que votar em Deltan passou a representar risco diante da disputa judicial, Filipe está dentro do mesmo corredor político e já foi apresentado a esse eleitor como uma das opções para o segundo voto.

Isso não significa transferência automática.

Eleitor não pertence a candidato, e tracking de campanha não substitui pesquisa eleitoral.

Alexandre Curi também aparece nas avaliações internas das campanhas.

O candidato do Republicanos já disputava voto a voto uma das duas cadeiras antes da liminar e conta com a estrutura eleitoral do bloco governista no Paraná.

Cristina Graeml completa o grupo citado nos bastidores. A candidata do PSD também concorre diretamente por parcela do eleitorado situado à direita e pode disputar votos que eventualmente deixem Deltan.

A suspensão, portanto, criou uma disputa dentro da própria direita antes de produzir qualquer conclusão sobre os números gerais da eleição.

Paraná Pesquisas mostra o ponto de partida

DataRatinho registra pesquisa no Paraná para 4 de setembro

A última fotografia pública realizada imediatamente antes da liminar ajuda a mostrar o tamanho do problema.

Na Paraná Pesquisas divulgada em 18 de setembro, Deltan tinha 31,6% das intenções de voto na modalidade estimulada para o Senado. Alexandre Curi aparecia com 30,4%, Filipe Barros com 26,3%, Gleisi Hoffmann (PT) com 25,9% e Cristina Graeml com 14,8%.

Foram entrevistados 1.280 eleitores em 57 municípios entre 15 e 17 de setembro. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o protocolo PR-01022/2026.

Todo o campo ocorreu antes da decisão de Floriano.

Essa pesquisa, portanto, não mede qualquer consequência eleitoral da suspensão.

Ela serve como marco zero.

O efeito Deltan, se existir, começará a aparecer apenas nos levantamentos que ouvirem eleitores depois da noite de 19 de setembro.

IRG pega só um pedaço da reviravolta

Ferramenta interna mapeará candidatos à Câmara e Alep
Ricieri Garbelini, da IRG Pesquisa. Foto: reprodução

A pesquisa da IRG prevista para divulgação nesta terça-feira, 22 de setembro, será a primeira da semana a testar a nova fotografia da eleição.

Mas existe uma limitação importante.

A IRG ouviu 1.200 eleitores entre 17 e 20 de setembro. A pesquisa tem margem de erro de 2,83 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro PR-01172/2026.

A liminar saiu somente na noite de 19 de setembro.

Isso significa que a maior parte das entrevistas já havia sido realizada quando a campanha de Deltan foi suspensa.

Mesmo que alguma oscilação apareça, a IRG dificilmente terá captado integralmente o cavalo de pau provocado pela decisão do TSE.

A fotografia mais limpa deverá vir das pesquisas cujo trabalho de campo tenha começado depois da suspensão.

E o Paraná terá uma bateria delas nesta semana.

Desgraça de Deltan movimenta a própria direita

Deltan chega ao limite do registro com processo ainda em tramitação no TRE-PR
Este é Deltan Dallagnol. Foto: reprodução/Flickr/Novo-PR

Existe uma ironia política na crise.

Enquanto Deltan, seus aliados que criticam a decisão do TSE protestam contra a liminar, parte dos candidatos que potencialmente podem aproveitar uma redistribuição de seus votos está dentro do mesmo espectro político.

Deltan anunciou recurso e questionou a decisão de Floriano. Sua defesa sustenta que a medida é juridicamente inconsistente e criticou a forma como o processo foi conduzido. São argumentos da defesa, que ainda serão apreciados pelo tribunal.

Enquanto essa batalha ocorre em Brasília, no Paraná a lógica eleitoral é mais pragmática.

Se Deltan permanecer impedido de fazer campanha, haverá menos de duas semanas até o primeiro turno para seus eleitores decidirem se mantêm o voto ou procuram outro candidato.

É esse possível deslocamento que as campanhas tentam medir.

Gleisi também observa o movimento

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Gleisi está no jogo. Foto ilustrativa/Blog do Esmael

Gleisi Hoffmann não deve ser retirada dessa equação.

Embora os trackings relatados ao Blog apontem maior atenção para nomes que disputam diretamente o eleitorado conservador de Deltan, a eleição para o Senado tem uma particularidade: cada eleitor dispõe de dois votos.

Uma alteração em uma das escolhas pode modificar a combinação inteira da disputa.

Por isso, mesmo que um eleitor substitua Deltan por um candidato da direita, sua segunda escolha pode permanecer com outro nome. Da mesma maneira, candidatos que não disputam diretamente o mesmo nicho ideológico podem ser afetados pelas novas combinações.

A suspensão mexe no quadro inteiro.

TSE decidirá se crise vira perda total

Bolsonaro inelegível: julgamento do TSE comentado no Blog do Esmael [ao vivo]
Imagem ilutrativa/Blog do Esmael

O processo jurídico permanece aberto.

Em 2023, o TSE cassou por unanimidade o registro de Deltan como deputado federal. Na ocasião, a Corte concluiu que sua exoneração do Ministério Público Federal ocorreu enquanto existiam procedimentos administrativos que poderiam resultar em penalidades capazes de gerar inelegibilidade.

Em 2026, o TRE-PR chegou a outra conclusão e deferiu por 4 votos a 3 o registro da candidatura ao Senado.

Floriano entendeu, em análise preliminar, que existem elementos para suspender a campanha até que o recurso seja julgado pelo TSE. O ministro pediu que o caso seja levado ao colegiado em plenário virtual ou presencial.

O Blog apurou entre interlocutores que acompanham o processo que existe expectativa de manutenção da liminar quando o mérito for submetido aos ministros.

É informação de bastidor.

Não representa voto antecipado dos integrantes do TSE e não permite tratar o desfecho como consumado.

Nos corredores políticos paranaenses, porém, o pessimismo sobre a sobrevivência da candidatura aumentou consideravelmente depois de sábado.

Um interlocutor ouvido pelo Blog resumiu o sentimento usando uma expressão conhecida no campo: teria dado “Proagro”.

Na linguagem agrícola, significa perda total da lavoura.

Na linguagem jurídica, ainda é cedo para decretar isso.

Deltan continua candidato, está com o nome na urna e aguarda julgamento.

Mas, na linguagem eleitoral, seus votos já entraram na prateleira do mercado.

Filipe Barros, Alexandre Curi e Cristina Graeml aparecem nas avaliações de campanha sobre uma possível redistribuição desse eleitorado. Gleisi acompanha a movimentação porque qualquer mudança entre os dois votos disponíveis ao Senado pode alterar a corrida inteira.

A próxima pergunta não será respondida pelos línguas-pretas nem pelos trackings das campanhas.

Será respondida pelas pesquisas feitas depois de 19 de setembro.

E, definitivamente, pelos eleitores em 4 de outubro.

Acompanhe o Blog do Esmael para os novos números da corrida pelo Senado e as próximas decisões do Tribunal Superior Eleitoral sobre a candidatura de Deltan Dallagnol.

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