Se o Brasil fosse parlamentarista, o Centrão já estaria governando o país com bênção dos oligarcas e da velha mídia corporativa. É exatamente essa projeção que o sistema financeiro tenta emplacar ao divulgar, nesta quarta-feira (2), mais uma pesquisa sobre as eleições de 2026.
Nos bastidores, oligarcas da Faria Lima e executivos de grupos de comunicação como a Globo alimentam o cenário de um “Brasil parlamentarista informal”, no qual o poder real escapa das urnas e se concentra nas emendas parlamentares, muitas delas secretas, e no controle do Orçamento público.
O levantamento da Quaest, encomendado pela Genial Investimentos, reforça esse ambiente. Segundo a pesquisa, 50% dos deputados federais acreditam que um candidato da oposição será o favorito nas eleições presidenciais de 2026. Apenas 35% veem Lula ou outro governista com chances reais. O dado revela menos sobre o eleitor e mais sobre o clima de desconfiança, e resistência, ao governo dentro do Congresso.
Na Faria Lima, bunker dos oligarcas do sistema financeiro e da velha mídia corporativa, dos mais ricos do país, a rejeição a Lula ultrapassa os 90% por questões óbvias.
Bastidor do descontentamento
Essa revolta do Centrão não nasceu por acaso. Ela é alimentada, sobretudo, pelas tentativas do governo Lula de exigir mais transparência na execução das verbas públicas, incluindo as emendas parlamentares. Recentemente, o ministro do STF Flávio Dino reforçou o cerco contra o orçamento secreto, incomodando parlamentares que veem no Congresso um instrumento de barganha e de poder paralelo.
Com a suspensão de repasses e a pressão por fiscalização, parte expressiva do Congresso se tornou terreno fértil para os oligarcas do sistema financeiro, que seguem blindados de impostos e tentam perpetuar o país no receituário da desigualdade. A batalha em torno do aumento do IOF, travada entre o Planalto e o Congresso, escancarou esse conflito de interesses agora judicializado no STF.
Pesquisa e o teatro do parlamentarismo informal
Dentro desse contexto, a pesquisa da Quaest funciona como peça de um jogo maior: o de criar a percepção de que Lula já estaria derrotado antes mesmo do início oficial da campanha de 2026. Curiosamente, o levantamento ouviu 203 deputados, ou seja, 40% da Câmara, o que, apesar de relevante, não representa diretamente o eleitorado.
A sondagem aponta o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o nome mais forte da oposição, citado por 49% dos parlamentares. Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030, aparece com 13%. Outros nomes ventilados incluem Michelle Bolsonaro (6%), Eduardo Bolsonaro (5%), Ratinho Júnior (4%), Ronaldo Caiado (3%) e Flávio Bolsonaro (1%).
Mesmo fora da disputa, Bolsonaro segue central no debate eleitoral, com 23% dos deputados defendendo sua candidatura, ainda que 51% achem que ele deveria apoiar outro nome.
Ou seja, a chapa dos oligarcas é Tarcísio, sem Lula nem Bolsonaro na disputa. Os mais ricos do país buscam uma nomeação do governador de SP, sem necessidade de uma disputa real. Eis a manobra expressada nessa pesquisa marota da Quaest.
Congresso cada vez mais hostil ao Planalto
Nesse sentido, a avaliação do governo Lula dentro da Câmara segue em queda. Hoje, 46% dos deputados classificam a gestão como negativa, o pior índice desde o início do mandato. Só 27% consideram o governo positivo, enquanto 24% veem como regular. Entre os independentes, a desaprovação disparou de 20% para 44% em dois anos.
A insatisfação não se limita ao Planalto, segundo o levantamento dos oligarcas. O Supremo Tribunal Federal (STF) também é alvo. Metade dos deputados acusa a Corte de “sempre” invadir as competências do Legislativo, enquanto 48% avaliam negativamente o Judiciário.
Hugo Motta: o fiador do equilíbrio?
Curiosamente, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), aparece com avaliação positiva entre 68% dos deputados. Ele é bem visto até mesmo entre governistas (77% de aprovação) e independentes (82%). Isso reforça o papel do Centrão como pilar central do poder institucional, um pilar que, sob o verniz da democracia, pavimenta o caminho para os oligarcas continuarem ditando as regras, independentemente do resultado das urnas.
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O jogo não está combinado com o eleitor
Como já dizia Garrincha, falta combinar com os “russos”, no caso, com o povo brasileiro. Apesar do teatro parlamentarista que se tenta encenar nos bastidores, cabe ao eleitor decidir se o país seguirá no rumo do governo Lula ou se mergulhará de vez na lógica do orçamento cativo e dos privilégios blindados.
A pesquisa da Quaest é apenas o ensaio de um jogo de poder maior que se joga dentro e fora do Congresso, com o apoio escancarado dos oligarcas e da mídia corporativa.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.





Votei no Lula por achar que Bolsonaro poderia ser um risco se fosse reeleito. Mas Lula decepcionou milhões de pessoas por viver gastando a beça e furioso na ganâcia de taxar e taxar e taxar.