Os oligarcas da Faria Lima, o sistema financeiro e a velha mídia estão em pânico com a nova ofensiva do governo Lula em defesa da justiça social. O discurso cada vez mais explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, escancarou o que está em jogo: ou o Brasil enfrenta de verdade a desigualdade pela via da tributação do topo da pirâmide, ou o país seguirá refém de privilégios concentrados.
A proposta de justiça social defendida pelo Planalto inclui medidas concretas como ampliação de direitos, combate a isenções bilionárias e disputa direta pelo Orçamento Público, hoje sequestrado pelos rentistas e especuladores via Selic — os juros mais altos do mundo.
A ministra Gleisi Hoffmann resgatou a postura combativa dos tempos em que presidia o PT nacional e abriu fogo contra o que chama de “defesa de privilégios disfarçada de política fiscal”. Gleisi lembrou que o governo já reduziu o déficit primário de 2,3% do PIB em 2023 para 0,09% em 2024, desmontando o discurso de que o problema fiscal vem de investimentos sociais. Segundo ela, o verdadeiro rombo está nos juros abusivos herdados do bolsonarismo e na proteção ao “andar de cima”.
Nos bastidores, cresce a percepção de que Lula e seu entorno se inspiram em movimentos internacionais que desafiam o establishment. Um exemplo concreto vem de Nova York, onde o socialista e muçulmano Zohran Mamdani surpreendeu ao vencer as primárias para a prefeitura da cidade mais icônica do capitalismo global.
Na Meca do sistema financeiro, Mamdani virou símbolo de uma Nova York insatisfeita com o alto custo de vida, o colapso dos serviços públicos e o domínio da elite política e econômica. Sua plataforma inclui propostas ousadas como ônibus gratuitos, creches públicas e, o mais polêmico, supermercados públicos para enfrentar a carestia alimentar. A candidatura sacudiu o tabuleiro político e mostrou que o debate sobre justiça social não é exclusividade de países em desenvolvimento.
Por aqui, o presidente Lula não poupou críticas ao Congresso e ao topo da pirâmide. Em evento no Palácio do Planalto, durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar, Lula reforçou o discurso tributário: “Queremos um Brasil justo, e isso começa pela tributação. Quem ganha até R$ 5 mil vai ter isenção. Quem consome até 80 kWh de energia vai pagar menos. O gás vai chegar mais barato. Ninguém quer que o povo dependa de Bolsa Família a vida inteira. O que queremos é que todos tenham condições de viver com dignidade pela sua capacidade profissional”.
Haddad foi ainda mais direto ao enfrentar o discurso da elite e desmontar os chamados “jabutis” — manobras legislativas que garantem privilégios tributários a setores específicos. “Toda vez que removemos um jabuti, vem a gritaria do andar de cima dizendo que estamos aumentando impostos. Não, isso é o mínimo de respeito ao trabalhador que paga suas contas”, afirmou o ministro, que também rebateu ataques de Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais, sugerindo que o ex-presidente tenta desviar o foco do fracasso de suas manifestações públicas.
Enquanto isso, no Congresso, a resistência é grande. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), aliado do centrão e da velha política, acusa o governo de promover “polarização social” ao tentar cobrar mais impostos dos ricos. Motta liderou a derrubada do decreto do IOF, expondo o embate cada vez mais aberto entre o Planalto e os setores conservadores.
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O Brasil, portanto, vive uma disputa que ultrapassa o jogo institucional. O governo tenta romper com décadas de captura do Orçamento e da política por interesses concentrados, enquanto a elite, aqui e em outros lugares do mundo, reage com nervosismo.
O exemplo de Nova York serve como alerta e inspiração. Se até no epicentro do capitalismo o debate sobre supermercados públicos e justiça social avança, o Brasil não pode continuar refém de um modelo onde só o topo da pirâmide lucra.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




