A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, elevou o tom contra o que chamou de “narrativa distorcida” sobre as contas públicas. Em uma série de postagens, Gleisi acusou a Folha de S.Paulo de reforçar o discurso de catastrofismo econômico que, segundo ela, serve apenas para “proteger os privilégios dos muito ricos” e manter a injustiça tributária no país.
A crítica de Gleisi veio após a própria Folha publicar estudo do FGV Ibre revelando que Estados e Municípios já gastam mais do que a União, o que desmonta a tese de que o governo federal estaria praticando “gastança” descontrolada.
“É mais um dado que desautoriza os que acusam o governo federal de gastança, como a própria Folha fez há uma semana”, escreveu Gleisi, num claro recado ao jornal paulista de que o governo não irá tolerar fake news e especulação econômica.
Nos bastidores do Planalto, o discurso de Gleisi também é visto como parte da estratégia para isolar setores da oligarquia financeira — bancos e mídia–, que, na visão do governo, sabotam as políticas públicas voltadas à maioria da população.
Economia melhor que o previsto
Além da crítica à imprensa, Gleisi destacou indicadores econômicos recentes para reforçar o argumento de que o Brasil está em trajetória de recuperação. Ela citou a queda do risco Brasil, que caiu de 214 pontos para 152 pontos no primeiro semestre, e os dados do IBGE, que mostram a menor taxa de desemprego desde 2014: 6,2%, com recorde no número de brasileiros trabalhando e na renda média, que chegou a R$ 3.457.
“Mais uma vez os resultados contrariaram os pessimistas e os que apostam contra o país”, afirmou a ministra, numa indireta a setores mais ricos e da oposição que vêm insistindo em previsões negativas para o governo Lula.
Tensão política e disputa narrativa
O embate entre Gleisi e a velha mídia expõe uma disputa mais profunda sobre os rumos da economia e a narrativa dominante no debate público. Para o governo, os oligarcas — com destaque para barões da imprensa tradicional e banqueiros — têm dado palco a uma visão alarmista que ignora indicadores concretos e favorece os interesses dos mais ricos.
Nos bastidores, a cúpula petista avalia que essa ofensiva contra a oligarquia é necessária para blindar o governo de movimentos especulativos e preservar a capacidade de investimento social, especialmente diante das resistências a uma reforma tributária mais progressiva.
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Gleisi vs. oligarcas
O confronto de Gleisi Hoffmann com a Folha de S.Paulo revela mais do que um embate pontual: trata-se de uma disputa pela narrativa econômica e pelo controle do debate público. Com números positivos na economia e foco na agenda social, o governo Lula aposta que a realidade falará mais alto que o catastrofismo dos oligarcas. Mas o jogo está longe de acabar.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




