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A taxa de desemprego no Brasil caiu a 6,2% no trimestre encerrado em maio, o menor patamar para o período desde o início da série histórica do IBGE em 2012. Os dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (27) confirmam o fortalecimento do mercado de trabalho, apesar dos juros altos mantidos pelo Banco Central.
O resultado supera as expectativas do mercado financeiro, que projetava taxa de 6,3%, e representa uma queda de 0,6 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e de 1 ponto na comparação anual.
O número de brasileiros empregados bateu novo recorde, com 103,9 milhões de pessoas ocupadas — avanço de 1,2% em relação ao trimestre anterior e de 2,5% no acumulado de 12 meses. Também chama atenção o crescimento do emprego formal, com 39,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o maior contingente já registrado.
A informalidade, por sua vez, recuou para 37,8%, o menor índice desde o início da série, refletindo o crescimento do trabalho com CNPJ e o aumento de vagas formais.
Segundo o IBGE, o rendimento médio habitual do trabalhador chegou a R$ 3.457, renovando o recorde histórico. Já a massa de rendimentos — que soma o valor recebido por todos os trabalhadores — alcançou R$ 354,6 bilhões, maior patamar da série.
Bastidores: aquecimento, qualificação e Previdência em alta
Para o analista do IBGE, William Kratochwill, o movimento positivo é resultado direto do aumento da ocupação e da redução da subutilização da força de trabalho. “O mercado segue aquecido, com queda da mão de obra qualificada disponível e avanço de vagas formais”, afirmou.
Outro dado relevante é o crescimento do número de contribuintes da Previdência Social, que chegou a 68,3 milhões de pessoas, refletindo a formalização do emprego e o impacto positivo sobre a arrecadação pública — tema sensível em meio aos debates sobre o orçamento e a sustentabilidade fiscal do país.
Cenário: melhora sustentada ou efeito temporário?
Embora os números apontem melhora consistente, o Blog do Esmael alerta: o mercado de trabalho ainda convive com elevada informalidade, desigualdade e salários pressionados pela inflação. A queda no desemprego ocorre paralelamente à desaceleração econômica e à resistência do Banco Central em reduzir os juros, o que pode limitar a geração de novas vagas no segundo semestre.
Além disso, a base de comparação anual carrega os efeitos da recuperação pós-pandemia, o que pode inflar as taxas de crescimento em relação a 2024.
Saldo positivo, mas país precisa ir além
O recuo no desemprego e o avanço dos empregos formais são conquistas importantes. Mas o Brasil ainda carrega a chaga estrutural da informalidade e da precarização — além do desafio de garantir salários dignos e acesso a direitos trabalhistas.
A formalização precisa ser acompanhada de políticas públicas robustas, investimento em qualificação e revisão do modelo tributário, para que o mercado de trabalho não seja apenas quantitativamente maior, mas também socialmente mais justo.
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O Blog do Esmael segue acompanhando os dados econômicos com olhar crítico e compromisso com a justiça social.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




