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Zohran Mamdani derrota Cuomo e pode ser o primeiro prefeito muçulmano da cidade
O leitor do Blog do Esmael já estava informado dos bastidores: o socialista e muçulmano Zohran Mamdani era favorito para a disputa em Nova York. A confirmação veio nesta terça-feira (25), com a surpreendente derrota do ex-governador Andrew Cuomo nas primárias democratas para prefeito.
Com 33 anos e um discurso progressista afiado, Mamdani virou símbolo de uma Nova York insatisfeita com o alto custo de vida e com o establishment político. Seu plano inclui ônibus gratuitos, creches públicas e, talvez o mais ousado, supermercados públicos.
“Nas palavras de Mandela, tudo parece impossível até ser feito”, discursou Mamdani, ovacionado em sua festa no Queens. “Farei desta cidade um lugar acessível e justo para todos, independente de onde você venha ou quanto ganhe.”
A vitória, embora ainda não oficial, teve impacto imediato no partido democrata e nos bastidores políticos dos EUA. Mamdani liderou com 43,5% dos votos, contra 36,4% de Cuomo, que admitiu a derrota: “Esta noite foi dele, ele venceu”, reconheceu.
Mesmo assim, Cuomo sinalizou que pode seguir na disputa pela via independente em novembro, o que manteria o cenário eleitoral em aberto. Vale lembrar que o atual prefeito Eric Adams, mergulhado em escândalos e com apoio em baixa, tenta a reeleição como independente — após ter feito alianças controversas com o presidente Donald Trump.
Mamdani, filho de imigrantes e militante socialista, conquistou o apoio de figuras como Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez. Cuomo, por outro lado, tinha o suporte da velha guarda, como o ex-presidente Bill Clinton e o bilionário Michael Bloomberg, que despejou milhões em ataques publicitários contra o socialista.
Divisão geracional e de classe
A disputa explicitou a divisão no Partido Democrata. Jovens, moradores de áreas mais populares e imigrantes abraçaram Mamdani. Já setores mais conservadores e parte do eleitorado sindicalista tradicional se mantiveram com Cuomo.
Na prática, o resultado aprofunda a crise de representatividade do partido diante da ascensão de Donald Trump e do conservadorismo nacional.
Caso confirme a vitória nas urnas, Mamdani será o primeiro prefeito muçulmano da história da cidade e o mais jovem em um século. Mas enfrentará resistência de Albany e do Congresso estadual para implementar propostas como congelamento de aluguéis e taxação de grandes fortunas.
Eleições gerais em novembro
O cenário da eleição geral permanece incerto. Além de Mamdani e Adams, outros nomes como Curtis Sliwa, dos republicanos, e independentes devem testar o humor do eleitorado. Mas, neste momento, o socialista surge como favorito, em meio a uma Nova York polarizada entre crise social, insegurança pública e os ecos do trumpismo.
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Mandani surgiu no contexto da desigualdade em NY
A vitória de Mamdani é sintoma de algo maior: o colapso do centro político e o avanço de vozes que, goste-se ou não, refletem o descontentamento popular com desigualdade e corrupção. Nova York vira laboratório de um embate que, cedo ou tarde, também chega ao Brasil.
Quem é Zohran Mamdani

Zohran Kwame Mamdani, deputado estadual e agora candidato favorito a prefeito de Nova York, representa o rosto jovem e insurgente do socialismo democrático na maior cidade dos Estados Unidos. Nascido em Uganda e criado no Queens, Mamdani construiu sua trajetória política no chão da cidade, lado a lado com os trabalhadores.
Foi dele a liderança que garantiu mais de US$ 450 milhões em alívio de dívidas para taxistas endividados — após uma histórica greve de fome. Também arrancou do orçamento estadual US$ 100 milhões para expandir o metrô e implementou um projeto piloto de ônibus gratuito, além de organizar moradores para barrar a instalação de uma poluente usina de energia.
Para Mamdani, o drama do custo de vida em Nova York não é inevitável — é um projeto político que pode ser revertido. Seu compromisso é usar o poder público para reduzir o aluguel, criar um transporte público de qualidade e tornar possível que famílias vivam com dignidade na cidade.
“Uma cidade onde possamos viver, sonhar e criar nossos filhos — é isso que vamos construir juntos”, promete o socialista.
Sobre a cidade de Nova York
Com uma população estimada em 8,48 milhões em julho de 2024, Nova York é a cidade mais populosa dos EUA — e seu entorno metropolitano ultrapassa os 19 milhões de habitantes. O crescimento, puxado pela imigração, coloca pressão intensa sobre moradia, transporte e infraestrutura urbana.
O orçamento adotado para o ano fiscal de 2025 atingiu US$ 112,4 bilhões, o maior já registrado pela prefeitura. Esse montante cobre despesas como educação, serviços sociais, segurança pública e pensões — atendendo a mais de 1,1 milhão de estudantes nas escolas da cidade, com cerca de US$ 38 bilhões destinados ao sistema público.
Na gestão de Eric Adams, o orçamento cresceu em ritmo acelerado: de US$ 111,6 bilhões na previsão executiva, para um novo recorde de US$ 115,1 bilhões em 2026, alocando reforços para creches, saneamento e segurança. No entanto, especialistas já alertam para riscos fiscais futuros — gastos pressionados por obrigações com migrantes, aposentadorias e uma eventual desaceleração econômica.
Além disso, a cidade dedicou quase US$ 930 milhões até 2026 para abrigar cerca de 86 000 pessoas sem-teto ou migrantes, em contratos com hotéis — uma emergência que virou política permanente.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




