A elite financeira do país, simbolizada pela Faria Lima, articula nos bastidores uma candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Presidência da República em 2026 — mas sem Lula e sem Bolsonaro na disputa.
Os oligarcas querem o bônus do governador paulista sem o ônus de enfrentar Lula nas urnas ou a companhia explícita de Bolsonaro.
A equação, no entanto, não fecha tão fácil. O presidente Lula (PT) segue como favorito nos principais levantamentos, apesar dos ataques incessantes da direita neoliberal e do noticiário de desgaste. Datafolha, IPEC e Paraná Pesquisas apontam o petista à frente no primeiro turno.
Não é à toa que esses oligarcas, que controlam bancos e mídia, começaram a sabotar o governo no Congresso Nacional, com o intuito de inviabilizar promessas de campanha e entregas de Lula às vésperas das eleições.
Murilo Hidalgo, diretor da Paraná Pesquisas, foi direto ao Blog do Esmael: a eleição do ano que vem deve ser um “replay” de 2022. Lula de um lado, o bolsonarismo do outro.
A diferença de 2026, no entanto, é que Bolsonaro dificilmente estará na urna, mas pode emplacar um herdeiro político — e, muito provavelmente, um herdeiro literal: o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Tarcísio, diante disso, enfrenta dois dilemas. Primeiro, o governador paulista não está disposto a trocar a reeleição em São Paulo por uma aventura nacional sem garantias. Segundo, o fator Bolsonaro pesa: o ex-presidente, mesmo inelegível e na mira do STF, ainda controla parte da direita e pode vetar publicamente o nome de Tarcísio.
O PSD, de Gilberto Kassab, tenta capitalizar essa hesitação. Kassab martela, semana após semana, o mesmo discurso ao governador: “Lula é imbatível em 2026. Vá à reeleição comigo na vice. Em 2030, o Planalto será seu.” Tradução: melhor garantir o presente do que apostar no incerto.
Os bilionários da Faria Lima, no entanto, pressionam. Querem Tarcísio no jogo presidencial. Mas sem o peso de Bolsonaro e, sobretudo, sem Lula na disputa. Um cenário cada vez mais improvável.
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De quebra, o pastor Silas Malafaia confirmou que Tarcísio estará no palanque de Bolsonaro neste domingo, 29 de junho, em evento em São Paulo — mesmo sendo o nome que parte da elite tenta vender como alternativa à polarização.
Tarcísio e seus aliados tentam manter distância segura do ex-presidente, mas o veto explícito de Bolsonaro pode ser fatal. Mais ainda se o ex-presidente conseguir, por meio da candidatura de um familiar, uma espécie de “seguro político” para escapar da cadeia ou buscar um indulto no futuro.
Os ricaços querem Tarcísio presidente. Querem “nomeá-lo” sem disputa. O problema é combinar isso com os russos — leia-se: o eleitorado, o bolsonarismo e o PT.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




