A Secretaria de Comunicação (Secom) do Palácio do Planalto conduziu recentemente uma série de pesquisas de opinião pública que trazem à tona um cenário inquietante para o Governo Federal, escreve o excelente jornalista Luiz Costa Pinto, o Lula, da sucursal do portal Brasil 247 em Brasília.
Essas avaliações, entregues por institutos como o IPRI – Instituto de Pesquisa em Reputação e Imagem, empresa pertencente à FSB Holding, lançam luz sobre a percepção da população em relação ao terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O distanciamento entre a avaliação “ótimo e bom” e a percepção de que a gestão é “ruim ou péssima” diminuiu de 15 pontos percentuais na primeira semana de agosto para apenas 8 pontos percentuais agora, no início de outubro.
Em um período de 60 dias, segundo dados fornecidos pela mesma empresa que presta serviços ao Palácio do Planalto, a percepção de que o Governo é “ótimo ou bom” caiu de 40% em agosto para 37%, enquanto aqueles que avaliam a administração federal como “ruim ou péssima” aumentaram de 25% para 29%.
Aqueles que veem o momento governamental como “regular” somam 31%.
Essas informações demonstram que o percentual de pessoas “decepcionadas” com a terceira gestão de Lula aumentou e atingiu o nível mais alto desde maio deste ano.
De acordo com a pesquisa telefônica realizada com 2.108 entrevistados entre os dias 3 e 4 de outubro, com ajustes estatísticos para representar de forma equilibrada os diversos estratos da população, incluindo região, idade, escolaridade, gênero, raça e religião, 37% dos entrevistados consideram o Governo “pior do que esperavam”.
Em agosto, esse percentual era de 30%.
Por outro lado, 35% acreditam que a terceira gestão Lula está “melhor do que o esperado”.
Em agosto, esse número era de 41%.
Aproximadamente um quarto da população, ou 25%, acredita que o desempenho do Governo está “de acordo com o esperado”.
Dentro desse grupo, 38% se sentem “surpreendidos” e 33% “decepcionados”.
Quando indagados sobre a direção que o país está tomando com base nas decisões do Governo, aqueles que viam um caminho certo para a melhoria eram 55% em agosto e agora somam 50% em outubro.
Por outro lado, aqueles que enxergam com pessimismo os rumos do Brasil a partir das ações do Governo aumentaram de 33% para 40%.
De acordo com a pesquisa, grande parte da população percebe que a economia nacional ainda enfrenta desafios significativos e que o custo de vida permanece elevado.
Os desafios principais: desemprego e preços
O desemprego se destaca como o problema mais relevante para 42% dos entrevistados, apesar dos indicadores objetivamente positivos de criação de novas vagas, com quase dois milhões de saldo nos primeiros nove meses do ano, e da redução da taxa de desemprego para 7,8% da População Economicamente Ativa (PEA), o menor nível desde 2015.
A percepção popular sobre os preços, especialmente dos alimentos, continua a ser uma preocupação para os gestores públicos.
De acordo com a pesquisa da Secom, 44% dos entrevistados acreditam que os preços continuam elevados e em uma tendência ascendente, enquanto apenas 22% afirmam estar observando uma redução nos preços dos itens de consumo.
Para 31% da amostra, a alta dos preços se estabilizou, mas essa estabilização não é suficiente para resolver suas preocupações.
As tarifas de energia elétrica e combustíveis emergem como os vilões nesse tópico de monitoramento, já que 63% dos entrevistados sentiram o impacto do aumento nas contas de energia, enquanto 59% expressaram insatisfação com os preços dos combustíveis.
Entre os aspectos positivos, a queda no preço da carne bovina foi citada por 49% dos entrevistados.
Avaliação das políticas de governo
No campo da Educação, as políticas de Governo recebem avaliações mais favoráveis.
A proposta de criação de uma poupança pública para estudantes é vista positivamente por 69% dos entrevistados, enquanto apenas 18% a consideram negativa.
Para 88% dos brasileiros, essa ideia seria altamente benéfica na redução da evasão escolar, e 70% acreditam que ela incentivaria a adesão ao ensino superior ou técnico no futuro.
Por outro lado, apenas 42% dos brasileiros afirmam ter conhecimento do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, uma peça central na Comunicação de Governo para reacender as expectativas de crescimento econômico e investimentos em infraestrutura.
Além disso, apenas 30% acreditam que o PAC contribuirá para o crescimento do Brasil.
Em resumo, as pesquisas de opinião pública refletem um cenário desafiador para o Governo Federal, com uma diminuição na aprovação e uma crescente preocupação com o desemprego e os preços.
No entanto, políticas específicas, como a poupança pública para estudantes, ainda recebem apoio significativo da população.
À medida que o Governo enfrenta esses desafios, a percepção pública continuará a desempenhar um papel crucial na direção que o país tomará nos próximos meses.
Portanto, no Palácio do Planalto, se fala abertamente que o gato subiu no telhado.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.





Seria uma ótima ideia se Lula desistisse dessa obsessão em querer ser o “maior líder mundial de todos os tempos” e se conformasse em ser um bom presidente para o Brasil, resolvendo os problemas que não somente não foram resolvidos como ainda estão bem fortes. Talvez assim, melhore a sua imagem diante do público.