Netanyahu não tem qualquer limite ético ou legal, diz governo Lula

Governo brasileiro condena ataque a palestinos em Gaza: mais de 100 mortos e 750 feridos

Em um trágico episódio ocorrido ontem (29/2), forças israelenses abriram fogo contra palestinos no Norte da Faixa de Gaza, enquanto estes aguardavam desesperadamente por ajuda humanitária. O Governo brasileiro, ao tomar conhecimento desses eventos, expressa profunda consternação diante da perda de mais de 100 vidas e dos mais de 750 feridos, resultado de disparos, pisoteio ou atropelamento. Este é o teor de uma nota divulgada pelo Itamaraty na manhã desta sexta-feira, 1º de março.

As imagens das aglomerações em torno dos caminhões que transportavam a ajuda humanitária revelam a dramática situação enfrentada pela população civil na Faixa de Gaza. A dificuldade em obter alimentos no território ressalta a urgência de medidas efetivas para aliviar o sofrimento dessa comunidade.

Autoridades da ONU e especialistas em ajuda humanitária alertam há meses sobre a sistemática retenção de caminhões nas fronteiras com Gaza. A crescente fome, sede e desespero da população civil são questões urgentes, ignoradas pela inação da comunidade internacional. Essa omissão serve como incentivo velado para o governo Netanyahu, permitindo a continuação de ataques a civis inocentes e desrespeitando regras fundamentais do direito humanitário internacional.

Declarações cínicas e ofensivas às vítimas do incidente, feitas por altas autoridades do governo Netanyahu, evidenciam a falta de limites éticos ou legais em suas ações militares em Gaza. É imperativo que a comunidade internacional intervenha para evitar novas atrocidades. Cada dia de hesitação resulta em mais vidas inocentes perdidas.

O Brasil expressa sua solidariedade ao povo palestino, especialmente aos familiares das vítimas. O país reafirma seu firme repúdio a toda e qualquer ação militar contra alvos civis, principalmente aqueles relacionados à prestação de ajuda humanitária e assistência médica.

O massacre de hoje se soma a mais de 30 mil mortes de civis palestinos, incluindo mais de 12 mil crianças, desde o início do conflito. O Brasil destaca a urgência de um cessar-fogo imediato e do efetivo ingresso em Gaza de ajuda humanitária em quantidades adequadas, além da libertação de todos os reféns.

O Governo brasileiro lembra a obrigação de implementar as medidas cautelares emitidas pela Corte Internacional de Justiça, que demandam que Israel tome todas as medidas ao seu alcance para impedir atos considerados como genocídio, conforme o Artigo II da Convenção para a Prevenção e a Repressão e Punição do Crime de Genocídio.

Em um cenário de crescente tragédia humanitária, é fundamental que a comunidade internacional se una para garantir o respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana e promover a paz na região.

Aqui está a íntegra da nota do Itamarty:

Ataque a tiros contra palestinos que aguardavam o recebimento de ajuda humanitária na Faixa de Gaza

Aqui está um mapa do ataque em Gaza. Foto: BBC/Reino Unido
Aqui está um mapa do ataque em Gaza. Foto: BBC/Reino Unido

O Governo brasileiro tomou conhecimento, com profunda consternação, dos disparos por arma de fogo, por forças israelenses, ocorrido no dia de ontem, no Norte da Faixa de Gaza, em local em que palestinos aguardavam o recebimento de ajuda humanitária. Na ocasião, mais de 100 pessoas foram mortas e mais de 750 feridas por tiros, pisoteio ou atropelamento.

As aglomerações em torno dos caminhões que transportavam a ajuda humanitária demonstram a situação desesperadora a que está submetida a população civil da Faixa de Gaza e as dificuldades para obtenção de alimentos no território.

Trata-se de uma situação intolerável, que vai muito além da necessária apuração de responsabilidades pelos mortos e feridos de ontem.

Autoridades da ONU e especialistas em ajuda humanitária e assistência de saúde de diferentes organismos e entidades vêm denunciando há meses a sistemática retenção de caminhões nas fronteiras com Gaza e a situação crescente de fome, sede e desespero da população civil. Ainda assim, a inação da comunidade internacional diante dessa tragédia humanitária continua a servir como velado incentivo para que o governo Netanyahu continue a atingir civis inocentes e a ignorar regras básicas do direito humanitário internacional. Declarações cínicas e ofensivas às vítimas do incidente, feitas horas depois por alta autoridade do governo Netanyahu, devem ser a gota d’água para qualquer um que realmente acredite no valor da vida humana.

O governo Netanyahu volta a mostrar, por ações e declarações, que a ação militar em Gaza não tem qualquer limite ético ou legal. E cabe à comunidade internacional dar um basta para, somente assim, evitar novas atrocidades. A cada dia de hesitação, mais inocentes morrerão.

A humanidade está falhando com os civis de Gaza. E é hora de evitar novos massacres.

Ao expressar sua solidariedade ao povo palestino, sobretudo aos familiares das vítimas, o Brasil reafirma seu firme repúdio a toda e qualquer ação militar contra alvos civis, sobretudo aqueles ligados à prestação de ajuda humanitária e de assistência médica.

O massacre de hoje vem se somar às mais de 30 mil mortes de civis palestinos, das quais mais de 12 mil são crianças, registradas desde o início do conflito, além dos mais de 1,7 milhão de palestinos vítimas de deslocamento forçado. O Brasil reitera a absoluta urgência de um cessar-fogo e do efetivo ingresso em Gaza de ajuda humanitária em quantidades adequadas, bem como a libertação de todos os reféns.

O Governo brasileiro recorda a obrigatoriedade da implementação das medidas cautelares emitidas pela Corte Internacional de Justiça, em 26 de janeiro corrente, que demandam que Israel tome todas as medidas ao seu alcance para impedir a prática de todos os atos considerados como genocídio, de acordo com o Artigo II da Convenção para a Prevenção e a Repressão e Punição do Crime de Genocídio.

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