O Exército de Israel (IDF) disse ter “iniciado a retomada da aplicação” da trégua após uma série de ataques aéreos lançados neste domingo (19) em resposta a supostas violações pelo Hamas, com suspensão temporária da ajuda e posterior promessa de retomada.
Segundo Israel, dois soldados morreram em confronto em Rafah, o que motivou “golpe de resposta” com dezenas de alvos atingidos no sul e no centro da Faixa.
O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu determinou “ação firme” e o ministro da Defesa, Israel Katz, endossou novas investidas se houver novas violações.
Autoridades médicas de Gaza relataram entre 26 e 45 mortos nas últimas horas, incluindo crianças, com registros em Khan Younis, Nuseirat, Bureij, Zawaida, Beit Lahia e Jabalia.
Os números variam por fonte e horário de atualização.
A ajuda humanitária chegou a ser interrompida “até novo aviso” e Israel manteve fechado o cruzamento de Rafah, crucial para entrada de mantimentos, com promessa posterior de retomada condicionada.
Agências da ONU alertam para fome generalizada e colapso de serviços.
O Hamas afirmou seguir comprometido com a trégua, negou envolvimento em incidentes em Rafah e acusou Israel de buscar pretextos para escalar.
Washington, sob Donald Trump, pressionou pela contenção e citou “relatórios credíveis” de possível violação pelo Hamas, rejeitados pelo grupo.
Mediação egípcia segue ativa no Cairo.
A retomada formal da “aplicação” da trégua após uma onda de bombardeios expõe a fragilidade do acordo de nove dias: qualquer tiro na linha de separação vira gatilho para novas respostas, enquanto persistem disputas sobre devolução de corpos de reféns, acesso de caminhões de ajuda e controle de áreas sob presença militar israelense.
Do ponto de vista humanitário e político, o teste é imediato: sem segurança para civis, fluxo estável de ajuda e mecanismos verificáveis de cessação de fogo, a trégua vira pausa intermitente.
Líderes israelenses da ala dura pedem retomada total da ofensiva, e o Hamas condiciona entregas e buscas em escombros a cessar bombardeios.
A mensagem pública de “retomar a aplicação do cessar-fogo” após uma salva de mísseis reforça que o acordo é tênue.
A prioridade deveria ser proteger civis, garantir a ajuda e estabelecer verificação independente, pilares mínimos para qualquer descompressão sustentável.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




