O presidente dos EUA, Joe Biden, desistiu de sua candidatura à reeleição em 2024, abrindo caminho para um novo candidato democrata.
Este comunicado ocorre em meio a pressões crescentes dentro do Partido Democrata, que questionam a viabilidade de sua candidatura devido à sua idade e desempenho recente em debates.
Esta decisão surpreendente foi comunicada através de uma declaração na rede social X, onde Biden afirmou que “embora fosse minha intenção buscar a reeleição, acredito que é do melhor interesse do meu partido e do país que eu me retire e me concentre exclusivamente em cumprir minhas obrigações como presidente até o final do meu mandato”.
A convenção do partido, marcada para agosto, poderá ser uma “convenção aberta”, onde os delegados votarão livremente para escolher o novo candidato.
Biden também declarou seu apoio total à vice-presidente Kamala Harris como a nova candidata do Partido Democrata. “Hoje, quero oferecer meu total apoio e endosso para que Kamala seja a candidata do nosso partido este ano”, escreveu ele. Democratas — é hora de nos unirmos e vencer Trump.”
O anúncio de Biden ocorreu enquanto ele se autoisolava em sua casa de praia em Delaware após contrair COVID-19. Este movimento veio após 37 legisladores democratas e independentes pedirem publicamente que o presidente passasse o bastão para outro candidato, além de apelos privados de figuras influentes como Barack Obama, Nancy Pelosi e Chuck Schumer.

O presidente do Comitê Nacional Democrata, Jaime Harrison, expressou sua gratidão ao presidente Biden pelo progresso incomparável alcançado nos últimos quatro anos. Harrison destacou a importância de um processo transparente e ordeiro para avançar com um candidato que possa derrotar Donald Trump em novembro. “O trabalho que devemos fazer agora, embora sem precedentes, é claro. Nos próximos dias, o Partido empreenderá um processo transparente e ordeiro para avançar como um Partido Democrata unido, com um candidato que possa derrotar Donald Trump em novembro”, afirmou Harrison.
Senadores republicanos, incluindo JD Vance, Josh Hawley e Marsha Blackburn, rapidamente se manifestaram, exigindo que Biden renunciasse à presidência. Vance argumentou que, ao desistir da reeleição, Biden estaria admitindo que não é mentalmente apto para servir como Comandante-em-Chefe. A pressão dos republicanos reflete a polarização política intensa que continua a dominar o cenário político dos EUA.
Com a saída de Biden, Harris se torna a provável candidata do partido, embora outros possam se apresentar como candidatos. Biden destacou sua escolha de Harris como vice-presidente em 2020 como a melhor decisão que tomou, reforçando seu apoio à candidatura dela. “Meu primeiro ato como candidato em 2020 foi escolher Kamala Harris como minha vice-presidente. E foi a melhor decisão que tomei”, escreveu Biden.
A decisão de Biden ocorre em um momento de intensa divisão política e pressões dentro do Partido Democrata. O desempenho desastroso de Biden no debate contra Donald Trump e as preocupações sobre sua saúde e vitalidade foram fatores contribuintes para sua decisão. Seu irmão, Frank Biden, comentou que a decisão se resumiu à saúde geral e vitalidade do presidente, além da preocupação em enfrentar a ameaça representada por Donald Trump.
Com Harris assumindo a dianteira como a candidata democrata, o cenário eleitoral de 2024 promete ser altamente competitivo. Trump, reagindo à saída de Biden, chamou-o de “o pior presidente da história do nosso país” e afirmou que Harris será mais fácil de derrotar. A batalha para a presidência dos EUA continua, com ambos os partidos se preparando para uma eleição decisiva que determinará o futuro político do país.
Os americanos irão às urnas no próximo dia 5 de novembro.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




