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PF “independente” vira objetivo oculto do bolsonarismo e da Faria Lima

Bolsonaristas articulam dar à Polícia Federal o mesmo selo de “autonomia” que Jair Bolsonaro (PL) concedeu ao Banco Central, movimento que turbinou a taxa de juros real mais alta do planeta e entregou o comando da política monetária aos interesses da Faria Lima.

A lógica é conhecida, caro leitor: trocar controle discricionário por “independência” que, na prática, captura o Estado e enfraquece a fiscalização sobre quem mais lucra, inclusive à margem da lei.

A chegada do deputado Guilherme Derrite, do PP de São Paulo, à Câmara, após temporada como secretário de Segurança de Tarcísio de Freitas, do Republicanos, não é um gesto isolado. É método político. É engrenagem.

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Este é o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário da Segurança no governo Tarcísio de Freitas. Foto: reprodução/Agência Câmara

A memória mostra que o bolsonarismo opera por camadas, sempre mirando estruturas sensíveis do Estado, como vimos no caso do Banco Central “autônomo” que passou a operar como um braço sofisticado da oligarquia financeira, travando desenvolvimento, consumo, emprego e, por consequência, a felicidade geral da nação.

O texto de Derrite, no Projeto Antifacção, descaracteriza a Polícia Federal, retira competências, desorganiza investigações e abre caminho para disputas administrativas que travam operações de inteligência.

Interlocutores do Planalto e de delegados federais ouvidos pelo Blog do Esmael apontam o risco imediato: ao tentar rebaixar a PF, o relator atinge justamente a instituição que revelou, na Operação Carbono Oculto, um sistema de lavagem trilionária, com tentáculos no alto empresariado, no mercado financeiro e em setores da velha mídia.

Nos bastidores, líderes do Congresso admitem que a independência da PF é a nova bandeira da oposição de direita para blindar estruturas de poder econômico, repetindo o roteiro do BC, que, sob Bolsonaro, ganhou autonomia formal e depois se consolidou como guardião dos juros altos, ainda que custasse renda, crédito e dinamismo produtivo.

A oposição tenta vender a ideia como modernização institucional, mas o objetivo é claro: deslocar o combate ao crime econômico para arenas mais controláveis e menos transparentes.

A disputa também reorganiza forças internas. O governo Lula, que tem na PF uma aliada estratégica no combate às facções e no rastreio financeiro sofisticado, enxerga na manobra de Derrite uma tentativa de criar insegurança jurídica.

Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, já alertou que qualquer esvaziamento da PF “é presente para facções e para quem lucra em estruturas criminosas extremamente complexas”. É o ponto de encontro entre segurança pública e crime financeiro.

Esta é a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, durante coletiva de imprensa. Foto: Brito Júnior/SRI-PR
Esta é a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, durante coletiva de imprensa. Foto: Brito Júnior/SRI-PR

O Congresso está dividido. Parlamentares do centro buscam amenizar o texto, enquanto setores bolsonaristas pressionam para manter o esvaziamento.

A narrativa do “Estado que atrapalha” reaparece, mas a fotografia é mais dura: a investida mira justamente a instituição que mais cresceu em capacidade técnica nos últimos anos, com operações que atingiram poderosos de todos os espectros.

O país vive, assim, uma encruzilhada institucional. Repetir o modelo do Banco Central na Polícia Federal retiraria do Executivo um instrumento vital para o combate à corrupção financeira e às quadrilhas que movimentam fortunas com informações privilegiadas, especulação e esquemas sofisticados de ocultação de patrimônio.

A autonomia, vendida como virtude, pode virar blindagem para quem teme ser alcançado.

A democracia exige freios e contrapesos, mas também exige responsabilidade sobre quem cuida do dinheiro público, do crime organizado e do rastreio financeiro.

A tentativa de independência da PF não é reforma administrativa. É projeto de poder.

Continue acompanhando os bastidores da política pelo Blog do Esmael, onde a verdade não se esconde.

Como a gestão Tarcísio teve influência no aumento da violência policial
Tarcísio é o principal beneficiário político das intervenções de Derrite, que esvaziam a Polícia Federal. Foto: reprodução/IG

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