Início / brasil

MDB se divide entre Lula e Flávio no segundo turno

O MDB chega a esta terça-feira, 13 de outubro, dividido publicamente no segundo turno presidencial. Uma ala do partido articula declaração de apoio a Lula (PT), enquanto dirigentes e lideranças pró-Flávio Bolsonaro (PL) participam de movimento político em São Paulo.

A divisão transforma uma das maiores legendas do país em território de disputa direta entre os dois presidenciáveis. O partido não funciona, nesta etapa, como bloco nacional homogêneo: diretórios e lideranças estaduais estão fazendo escolhas diferentes.

O grupo alinhado a Lula reúne dirigentes e parlamentares de diferentes estados, com presença relevante no Nordeste e no Norte. Entre os nomes associados ao movimento estão senadores e governadores que já mantêm relação política com o Palácio do Planalto.

No campo oposto, Flávio Bolsonaro tem agenda em São Paulo nesta terça para reunião com integrantes do MDB. A aproximação ocorre na esteira do apoio já anunciado por Michel Temer e de movimentos de setores do centro e da centro-direita em favor do candidato do PL.

O conflito interno interessa porque o MDB mantém capilaridade municipal, bancadas no Congresso e presença em governos estaduais. No segundo turno, essas estruturas podem influenciar mobilização territorial, prefeitos, vereadores e redes locais de campanha.

O Blog do Esmael já mostrou que Lula procura ampliar alianças para além do PT e da esquerda. Em etapa anterior da corrida, o presidente buscou aproximação com MDB e PSD. O segundo turno transformou aquela movimentação em disputa aberta por pedaços dessas siglas.

Também não se deve confundir apoio de lideranças com posição institucional nacional. A existência de alas rivais é justamente o dado político central: o MDB entra fragmentado na reta decisiva da eleição de 25 de outubro.

No Paraná, a divisão nacional merece atenção porque o partido integrou arranjos estaduais distintos ao longo da eleição e possui prefeitos capazes de transferir estrutura de campanha. A pergunta concreta agora é qual dos dois presidenciáveis conseguirá converter os apoios em presença territorial.

O resultado dessa disputa não será medido apenas por fotografias de reuniões. Será possível avaliar a força de cada ala pelo número de dirigentes que aderirem, pela mobilização municipal e pelo efeito sobre os palanques estaduais nos próximos 12 dias.

Continue acompanhando no Blog do Esmael os movimentos dos partidos e os bastidores do segundo turno presidencial.