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Copom insiste em juros altos e pressiona o bolso do povo

A última reunião do ano no Banco Central, nesta quarta (11), resultou na Selic a 12,25%, nivelando condições hostis ao consumo de bens, serviços e crédito. Perspectiva de novos acréscimos nos meses seguintes agrava a desconfiança popular, assombrando famílias já marcadas por dificuldades no orçamento doméstico. Sem qualquer gesto de compaixão, o comitê de política monetária investe contra o crescimento e a renda dos brasileiros comuns, seguindo o coro dos mais ricos e ignorando sinais de sacrifício fiscal em andamento no Congresso.

Impulsionam-se juros para conter inflação, ignorando que a parcela mais vulnerável da sociedade paga alto preço. O “mercado”, mencionado como se fosse uma entidade abstrata, resume-se aos poucos abastados, beneficiados pela distorção no equilíbrio entre consumo e produtividade real. Ao focar obsessivamente metas restritas, o Copom vira as costas a quem já sofre com endividamento, atraso em contas básicas e juros proibitivos no cartão e no cheque especial.

O comprometimento anunciado, no entanto, não parece dialogar com esforços realizados pela própria equipe de governo em equilibrar contas públicas. Ao sacrificar crescimento, corroem-se esperanças de geração de emprego e estímulo à produção local. Uma economia pulsante não se constrói isolando as pessoas, vetando acesso a crédito justo ou sobrecarregando quem mantém o país em pé.

Há sinais de desalento no ambiente produtivo. Pequenos empreendedores encontram menos fôlego ao buscar capital de giro. Trabalhadores informais encaram margens de lucro cada vez menores, resultado do encarecimento do custo de vida. Assalariados lidam com prestações infladas e sonhos adiados, espremidos entre a estagnação do poder de compra e o medo do endividamento crônico. Além disso, eles ainda correm riscos com um pacote de gastos que podem limitar o aumento real nos seus vencimentos.

Críticas da presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, refletem indignação coletiva. A decisão do BC empurra o país para um beco sem saída, demonstrando descaso com tentativas de correção de rumos já em apreciação no Parlamento. Assiste-se, assim, ao enfraquecimento de qualquer esforço conjunto por prosperidade mais equilibrada e desenvolvimento sustentável.

A mudança no comando do BC, prevista para o próximo ano, indica margem de esperança. Gabriel Galípolo, nomeado para a presidência da instituição, aponta caminho de diálogo racional e realista com o Planalto. Poderá, quem sabe, abrir brechas para alternativas menos dolorosas, que considerem o tecido social e evitem o eterno sacrifício da maioria em benefício de poucos. No entanto, os mais ricos ainda esperam novos aumentos da taxa de juros para o ano que vem, indicando que haverá queda de braço e muita pressão.

Sem humanidade e sensibilidade, a política monetária reduz-se a números frios, insuficientes para explicar o desalento de um país castigado pela alta dos preços e pela corrosão do poder de compra. É urgente retomar a noção de equilíbrio, afastar receituários extremos e criar pontes entre o esforço fiscal, as demandas do cidadão e os desafios econômicos. Sem isso, a cada golpe de juros, mais um pedaço do futuro coletivo se esvai.

O que disse Gleisi Hoffmann

“É irresponsável, insana e desastrosa para o país a decisão do BC de elevar da taxa básica de juros para 12,25%. Não faz sentido nem seria eficaz para evitar alta da inflação, que não é de demanda. Nem para melhorar a situação fiscal, muito pelo contrário. Esse 1 ponto a mais vai custar cerca de R$ 50 bilhões na dívida pública. E não faz sentido para um país que precisa crescer e continuar gerando empregos. O BC está ignorando o esforço e sacrifício do governo em tomar medidas fiscais, que já estão no Congresso, para limitar o crescimento da despesa. Mas é o fecho da trajetória nefasta do bolsonarista Campos Neto no BC, responsável pela criminosa sabotagem à economia do país nos dois primeiros anos do governo Lula. Sufocou a economia e o crédito e não cuidou da especulação com o câmbio, que era sua obrigação combater. Já vai tarde Campos Neto. Espero que seu terrorismo fiscal também seja suplantado daqui pra frente.”

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