O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), rejeitou a indicação do PL para que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) assumisse a liderança da minoria.
A decisão derruba a estratégia do partido de tentar blindar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já acumula faltas e pode perder o mandato.
Eduardo foi barrado por Hugo Motta logo após bater boca em público com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, que lavou as mãos e atirou o filho do ex-presidente às feras governistas.
Na semana passada, Valdemar chamou Eduardo de “canalha” e expôs o racha na legenda.
A possível cassação do deputado, com aval da própria cúpula do PL, tende a aprofundar a crise interna e ampliar a confusão com o bolsonarismo raiz, que já acusa o dirigente de trair Jair Bolsonaro e trabalhar para abrir caminho a Tarcísio de Freitas em 2026.
Eduardo Bolsonaro está em autoexílio nos Estados Unidos e não comunicou oficialmente a ausência ao Legislativo.
Segundo o parecer que embasou a decisão, a liderança exige presença física na Casa, e o deputado soma 18 ausências em 32 sessões deliberativas, ultrapassando o limite de 1/3 permitido pela Constituição.
O movimento ocorre em meio à pressão do Supremo Tribunal Federal (STF) e à crise política provocada pela tentativa de costurar um acordo para reduzir penas de Jair Bolsonaro.
Eduardo, além da possibilidade de cassação, também foi denunciado pela PGR (22/09) por coação contra o STF.
No parecer, Motta destacou que só missões autorizadas justificam registro remoto de presença e que a ausência sem comunicação “constitui violação ao dever funcional”.
Parlamentares interpretam a decisão como recado à militância de Eduardo nos EUA em busca de retaliações contra o Brasil junto ao governo Trump.
Nesta terça-feira (23), o Conselho de Ética da Câmara deve abrir processo contra o deputado, atendendo a queixa do PT por “atentar contra os fundamentos da República”.
Outras três representações pedindo a cassação aguardam análise.
Se condenado, Eduardo poderá perder o mandato, inviabilizando qualquer projeto de disputar a Presidência em 2026.
A rejeição de Motta expõe o isolamento de Eduardo e do bolsonarismo no Congresso.
Mais do que um embate regimental, diz o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), trata-se de um freio institucional diante da tentativa de transformar mandato em instrumento de afronta à democracia.
Se confirmada a cassação, será um marco contra a impunidade, afirma o Palácio do Planalto.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




