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Globo pede arrego ao PT e teme crise entre ricos e pobres

O Jornal Nacional, da TV Globo, escancarou o medo da velha mídia e dos oligarcas da Faria Lima diante do que chamaram de “polarização social” nas redes. Em tom quase suplicante, na noite desta quinta-feira (3), a emissora pediu que o PT e o campo progressista “mantenham a elegância” no debate digital, uma tentativa explícita de conter o desgaste público dos super-ricos após a queda do aumento do IOF.

Por quase sete minutos no telejornal, a Globo fez o que sabe melhor: blindou os poderosos e tentou deslocar o foco das redes, onde milhões de brasileiros denunciam o abismo entre ricos e pobres no país. Não é exagero dizer que a derrota do governo Lula no Congresso, ao tentar manter o aumento do IOF, escancarou essa disputa de classes.

O que os ricaços temem

Os donos do dinheiro, principalmente o setor financeiro representado pela Faria Lima, não escondem o desconforto. A queda do aumento do IOF, celebrada como vitória no Congresso, representa para eles a manutenção dos privilégios tributários. Enquanto isso, o governo e o PT tentam emplacar a narrativa de que apenas os super-ricos devem pagar mais impostos, uma estratégia que irrita os barões da mídia e do mercado.

Foi neste cenário que o PT publicou vídeos nas redes sociais utilizando inteligência artificial, denunciando o “imposto injusto” do IOF e defendendo uma reforma tributária que atinja os mais ricos. A resposta da direita veio no mesmo tom: a Federação União Progressista (União Brasil e Progressistas) e outros grupos produziram seus próprios conteúdos em IA, acusando o PT de promover o discurso do “nós contra eles”.

Mas o que tirou o sono da Globo e dos parlamentares foi a avalanche de vídeos e postagens sem assinatura partidária, que passaram a apontar diretamente o Congresso como responsável pela crise social e econômica, uma narrativa que, gostem ou não, ganhou corpo nas ruas e nas redes.

Congresso tenta conter o desgaste

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Vídeos feitos com IA pedem que ricos rachem a conta de forma mais justa. Foto: reprodução/TV Globo

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi um dos principais alvos. Em reação pública, ele afirmou que o Brasil “não pode cair na armadilha da polarização social” e acusou o governo de estimular esse ambiente conflagrado:

“Quem alimenta o ‘nós contra eles’ acaba governando contra todos”, disparou Motta, integrante do Centrão, que foi amparado pelo telejornal dos Marinho.

Nos bastidores, o Planalto tentou baixar a temperatura. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), pediram à militância que evite ataques pessoais, embora tenham reafirmado a defesa da justiça tributária e a cobrança dos super-ricos.

Já no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP) negou que o governo tenha qualquer envolvimento com ataques ao Congresso:

“Qualquer tipo de agressão dessa natureza é por nós condenado”, garantiu.

Direita tenta emplacar narrativa de radicalização

A oposição, no entanto, explora o desgaste. Rogério Marinho (PL) e o deputado Zucco (PL) acusaram o governo de financiar uma “máquina digital” para promover divisão social e colocar o povo contra o Congresso e os empresários:

“O que o PT faz nas redes é muito grave. Dividem o Brasil entre ricos e pobres, tentando culpar quem produz e gera emprego”, acusou Zucco, escalado pela Globo.

Na análise do cientista político Carlos Pereira, o Planalto está cometendo um erro estratégico ao tentar responsabilizar o Congresso pela paralisia tributária:

“No presidencialismo, é sempre o Executivo que paga o preço, para o bem ou para o mal”, resumiu à emissora.

O jogo é maior

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A extrema direita e os oligarcas “acusaram o golpe” do campo progressista no debate sobre taxação dos super-ricos. Foto: reprodução/TV Globo

O que está por trás dessa disputa não é apenas um embate sobre o IOF ou a retórica de rede social. É a revelação crua da luta de classes no Brasil e o medo das elites de perder o controle sobre o orçamento público e o sistema tributário. A velha mídia, ao pedir arrego e pregar “elegância”, tenta conter um movimento que já não domina: o da indignação popular.

O governo, pressionado, tenta equilibrar o discurso e o Congresso se vê na berlinda. Mas uma coisa é certa: o debate sobre justiça social e tributária só começou, e não será a Globo que vai conseguir calá-lo.

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