A cena é simbólica e politicamente calculada: o presidente Lula (PT) ergue um cartaz pedindo a taxação dos super-ricos, em plena Festa do Dois de Julho, na Bahia. Não se trata apenas de folclore ou celebração cívica, é o prenúncio do embate que marcará as eleições de 2026: o Brasil dos pobres contra os bilionários da Faria Lima.
Na tradicional Caminhada do Dois de Julho, em Salvador, Lula resgatou o espírito da Independência da Bahia, episódio que consolidou a separação do Brasil de Portugal em 1823, com protagonismo dos sertanejos, quilombolas, indígenas e trabalhadores pobres que marcharam de cidades como Caetité rumo ao Recôncavo, expulsando as tropas coloniais.
O cartaz presidencial, no calor da festa popular, aponta um duplo sentido: soberania nacional e soberania fiscal. Lula faz questão de expor o fio condutor entre a resistência histórica aos colonizadores e o enfrentamento contemporâneo aos oligarcas que, no Brasil atual, controlam o sistema financeiro e sabotam a redistribuição de renda.
Caetité, cidade do Alto Sertão baiano, mantém viva essa tradição há quase dois séculos. Ali, o Dois de Julho não é apenas desfile ou memória: é ato político. Cavaleiros, estudantes, comunidades quilombolas e o povo tomam as ruas ao som de fanfarras e cortejos cívicos, celebrando a luta que começou muito antes das elites cariocas proclamarem a independência oficial.
Nos bastidores do Planalto, porém, Lula sabe que a disputa não se resolve apenas nas ruas. O aumento do IOF para os mais ricos, defendido pelo governo, está travado no Supremo Tribunal Federal (STF), alvo da ofensiva dos barões do mercado. E, dentro do próprio governo, há desconforto com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, visto como um elo da Faria Lima infiltrado na máquina pública.
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Lula escolheu o Dois de Julho para sinalizar, de forma explícita, que sua campanha por justiça social e redistribuição de riquezas será travada nas ruas, com apoio popular, assim como foi em 1823, quando os pobres, os filhos de escravos e o sertão sustentaram a verdadeira independência.
O recado está dado: a elite financeira pode ter o poder dos bancos e dos gabinetes, mas o povo tem a rua e a história ao seu lado.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




