Direita conecta Fux, Bolsonaro, UFPR e morte de aliado de Trump

Direita conecta voto de Fux em favor de Bolsonaro, violência na UFPR e morte de Charlie Kirk para reforçar narrativa de vitimização política no Brasil e no exterior.

O ministro Luiz Fux (STF) surpreendeu ao pedir a nulidade da ação penal contra Jair Bolsonaro (PL), nesta quarta-feira (10), destoando do perfil punitivista que marcou sua trajetória. O voto, que absolve o ex-presidente de todos os crimes relacionados à tentativa de golpe, reacendeu a discussão sobre a competência do Supremo e foi imediatamente apropriado pela direita como sinal de perseguição judicial.

Horas antes, em Curitiba, a Faculdade de Direito da UFPR virou palco de confronto entre estudantes e a Polícia Militar do Paraná. O evento, intitulado “O STF e a interpretação constitucional”, teria a participação de Jeffrey Chiquini, advogado ligado a Filipe Martins, ex-assessor internacional do governo Bolsonaro e réu no STF, e do vereador Guilherme Kilter (Novo), pupilo do deputado cassado Deltan Dallagnol. A universidade cancelou a atividade, alegando risco de confusão, mas os convidados insistiram em entrar à força no prédio histórico, empurrando o vice-diretor.

A reação resultou em tumulto. Estudantes ocuparam a Praça Santos Andrade e impediram a realização da palestra, classificada como golpista pelo movimento estudantil. A PM foi chamada e interveio com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha. Uma estudante foi atingida na perna, um aluno foi preso e arrastado por policiais, que também usaram socos e chutes, segundo testemunhas.

Em nota, a UFPR criticou a “resposta desproporcional das forças de segurança pública em relação à comunidade que se manifestava”. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) repudiou a repressão e classificou a ação como “violência de Estado e autoritarismo puro”. Já a PM alegou que agiu para garantir a integridade física dos convidados e que tentou diálogo antes de usar “instrumentos de menor potencial ofensivo”.

Do lado político, a ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) repudiou a repressão e afirmou que a extrema direita não manchará a tradição democrática da UFPR. Já Deltan Dallagnol (Novo) afirmou que Chiquini e Kilter foram vítimas de censura e violência da esquerda. “Direita censurada e agredida no Paraná”, escreveu. Nas redes, os dois militantes reforçaram a narrativa de expulsão e agressão, prometendo retorno.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o dirigente de extrema direita Charlie Kirk, fundador da organização Turning Point USA e aliado de Donald Trump, foi morto a tiros durante palestra em Utah. Apesar de não haver qualquer relação com o Brasil, setores bolsonaristas incorporaram o episódio ao discurso de vitimização global, sustentando, sem evidências, que conservadores seriam alvo de violência da esquerda.

O mosaico revela uma construção narrativa: no STF, Bolsonaro “injustiçado”; na UFPR, militantes de direita “censurados e reprimidos”; e nos EUA, aliado de Trump assassinado. No entanto, os fatos apontam outra direção: no Paraná, a esquerda caiu na armadilha de transformar um evento esvaziado em vitrine nacional para novos rostos da extrema direita. O voto garantista de Fux representa mudança de postura em relação a sua trajetória anterior. Isolado até aqui, tem poucas chances de alterar o rumo do julgamento, mas servirá de argumento para futuras contestações jurídicas.

A direita se movimenta com habilidade para costurar episódios díspares em uma narrativa única de perseguição, transformando vitimização em ativo político para 2026. Cabe à esquerda não repetir erros que ampliem artificialmente figuras minoritárias.

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