Bolsonaro usa tornozeleira por ordem de Moraes e operação da PF vira manchete internacional

Jair Bolsonaro passou a usar tornozeleira eletrônica nesta sexta-feira, 18 de julho, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs também o recolhimento noturno, proibição de uso das redes sociais e contato com outros investigados. A decisão foi tomada no âmbito da PET 14129, que investiga tentativa de golpe, obstrução de Justiça e atentado à soberania nacional.

A Polícia Federal realizou buscas na casa do ex-presidente, em Brasília, e apreendeu cerca de US$ 14 mil, R$ 8 mil e um pen drive escondido no banheiro. Também foram encontrados documentos relacionados à ação movida pela plataforma Rumble contra Moraes nos Estados Unidos, com apoio do Trump Media & Technology Group. Segundo o ministro, o material comprova uma tentativa coordenada de deslegitimar o Judiciário brasileiro com apoio externo.

Em entrevista, Bolsonaro afirmou que “nunca pensou em sair do Brasil ou pedir refúgio em embaixada”, mas classificou as medidas como “suprema humilhação”. A defesa do ex-presidente disse ter recebido a decisão com “surpresa e indignação”.

Restrições impostas a Bolsonaro

Por decisão de Moraes, Bolsonaro:

  • Deve usar tornozeleira eletrônica;
  • Está proibido de sair de casa entre 19h e 7h, inclusive fins de semana;
  • Não pode acessar redes sociais;
  • Não pode se comunicar com diplomatas, nem com outros réus, incluindo seu filho Eduardo Bolsonaro;
  • Está impedido de entrar em embaixadas ou consulados.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) justificou as medidas por haver risco concreto de fuga e reiterou que Bolsonaro age “dolosa e conscientemente” para obstruir o andamento do processo, junto com Eduardo, que está nos Estados Unidos pressionando o governo Trump por anistia ao pai.

Repercussão internacional

A operação repercutiu amplamente na imprensa global. A CNN destacou o uso da tornozeleira e o risco de mais de 40 anos de prisão caso Bolsonaro seja condenado por tentativa de golpe. A Reuters mencionou o apoio de Donald Trump ao ex-presidente e classificou a reação do republicano como “defesa contra uma caça às bruxas”.

O La Nación, da Argentina, enfatizou o toque de recolher e a proibição de redes sociais, chamando atenção para o “impacto internacional da operação”. A Bloomberg reforçou que o caso evidencia uma crise institucional que compromete a estabilidade política do Brasil, enquanto a Al Jazeera relacionou as ameaças de tarifas dos EUA ao envolvimento direto de Bolsonaro com uma tentativa de manipulação geopolítica contra o STF.

Segundo o ministro Moraes, Bolsonaro confessou publicamente sua intenção de trocar o fim das tarifas de 50% impostas por Trump à sua anistia. “Atuação dolosa e despudorada”, escreveu o relator, mencionando que o ex-presidente transferiu R$ 2 milhões via PIX para o filho, Eduardo, nos EUA, como forma de financiar a ofensiva internacional contra a Justiça brasileira.

Sessão do STF deve confirmar decisão

O ministro Cristiano Zanin convocou sessão extraordinária da Primeira Turma do STF para analisar as medidas cautelares impostas por Moraes. O julgamento começa nesta sexta (18) e vai até segunda-feira (21) no plenário virtual da Corte.

Contexto político

As novas medidas ocorrem em meio à radicalização do discurso bolsonarista, à ofensiva internacional de Eduardo Bolsonaro em Washington, e à aproximação entre o STF e o Congresso em torno da defesa das instituições. A tentativa de envolver Trump no caso gerou reações diplomáticas e pode agravar a tensão comercial entre Brasil e EUA.

A operação é considerada um divisor de águas para 2026. Com as novas restrições, o bolsonarismo se vê obrigado a antecipar o debate sobre sucessão política, que pode envolver nomes como Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e até o governador Ratinho Júnior.

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