Bolsonarismo reage com fúria à tornozeleira imposta a Bolsonaro, e governador de SP quebra silêncio em defesa do ex-presidente
A imposição de tornozeleira eletrônica e medidas restritivas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta sexta-feira (18), acendeu uma reação imediata entre os principais nomes do bolsonarismo, que acusam o Supremo Tribunal Federal (STF) de promover “perseguição política” e rasgar garantias constitucionais. Em um movimento que expôs o grau de coesão da base bolsonarista, os filhos do ex-presidente, Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro, se manifestaram nas redes sociais em tom de repúdio, evocando linguagem emocional, religiosa e antissistema. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também se pronunciou, em defesa pública de seu padrinho político, gesto que a velha mídia silenciou.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal no STF que investiga tentativa de golpe de Estado, restringe o ex-presidente a sair de casa à noite, suspende o uso de redes sociais e o proíbe de contato com aliados, inclusive com seus próprios filhos. A tornozeleira, segundo a defesa, é medida desproporcional e humilhante, “sem qualquer fundamento objetivo”.
No campo político, a fala de Tarcísio foi a que mais chamou atenção. O governador paulista, apontado como potencial presidenciável para 2026, publicou mensagem nas redes exaltando a “coragem” de Bolsonaro e defendendo “eleições livres, justas e competitivas”. “Não haverá paz social sem paz política”, escreveu Tarcísio, em aceno à base bolsonarista e crítica indireta ao Judiciário. O gesto não passou despercebido, pois marca o rompimento de seu silêncio diante da perseguição judicial ao ex-presidente, algo que aliados pressionavam nos bastidores.
No entanto, o apoio irrestrito de Tarcísio a Bolsonaro e às medidas hostis do governo Donald Trump contra o Brasil também lhe rendeu duras críticas do setor produtivo, especialmente do empresariado paulista. Sua postura foi interpretada como contrária aos interesses econômicos do estado que governa e do país, agravando a tensão com setores que vinham buscando estabilidade, segurança jurídica e previsibilidade comercial em meio à crise tarifária entre Brasil e EUA.
Eduardo Bolsonaro classificou Moraes como “gangster de toga” e acusou o STF de tentar “criminalizar o governo Trump” por supostos vínculos entre medidas tarifárias dos EUA e a atuação de Bolsonaro. “Meu pai é refém de um sistema podre”, afirmou o deputado, que está fora do país. Já Carlos Bolsonaro se manifestou como “filho revoltado”, dizendo que o pai está sendo “tratado como criminoso enquanto assassinos e corruptos vivem livres”. Flávio Bolsonaro, por sua vez, evocou o Dia de Mandela (18 de julho) como símbolo da resistência e escreveu: “Os humilhados serão exaltados”.
As manifestações nas redes antecipam o tom de mobilização da base bolsonarista, que promete reagir com força às novas medidas judiciais. Parlamentares aliados prometem pressionar o Senado a discutir limites às decisões monocráticas no STF e acusam Moraes de “subverter o devido processo legal”.
A reação da ala bolsonarista se soma à escalada de tensão institucional entre Judiciário e Executivo, em meio à crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos causada pelo tarifaço de Donald Trump. A defesa de Bolsonaro ainda tenta reverter as medidas cautelares, enquanto analistas projetam que o novo episódio pode reconfigurar alianças para as eleições de 2026.
O silêncio de parte do Centrão e da velha mídia sobre a manifestação de Tarcísio, um dos nomes cotados para suceder Bolsonaro no campo da direita, chama atenção. O apoio público ao ex-presidente pode representar, para Tarcísio, um risco calculado: perder espaço entre moderados, mas se consolidar como o herdeiro legítimo do bolsonarismo puro.
A temperatura política promete subir, e o Blog do Esmael seguirá acompanhando todos os bastidores dessa crise institucional sem precedentes.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.





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