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Crise em Ormuz ameaça diesel, frete e agro do Paraná

O petróleo Brent chegou a US$ 91,42 por barril nesta segunda-feira, 20 de julho, após o tráfego de embarcações cair pela metade no Estreito de Ormuz. A escalada entre Estados Unidos e Irã deslocou o risco da guerra para o abastecimento mundial de energia, com potencial de atingir diesel, transporte rodoviário, fertilizantes e alimentos no Paraná.

O preço devolveu parte da alta durante a manhã. Às 9h22, no horário de Brasília, o Brent era negociado a US$ 88,28, enquanto o petróleo americano WTI estava em US$ 82,15. O recuo ocorreu depois de autoridades iranianas informarem que mediadores apresentaram propostas para retomar as negociações com Washington.

A Guarda Revolucionária do Irã alegou que explosões imobilizaram dois petroleiros que tentavam atravessar uma rota ao sul do estreito. O comunicado não informou os nomes das embarcações, a extensão dos danos nem a existência de vítimas. A Reuters declarou que não conseguiu verificar o episódio de forma independente.

Separadamente, a agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que uma embarcação foi atingida por um projétil não identificado na costa de Omã. O navio ficou à deriva, mas a tripulação estava segura. Não há confirmação de que essa ocorrência envolva um dos petroleiros mencionados pelo governo iraniano.

O dado confirmado veio do monitoramento marítimo da London Stock Exchange Group (LSEG). Quatro embarcações cruzaram Ormuz no domingo, 19 de julho, contra oito no sábado. O levantamento acompanha porta-contêineres, graneleiros, navios de transporte de veículos e petroleiros que carregam petróleo, gás e produtos químicos.

Nenhum navio de gás natural liquefeito havia sido identificado atravessando o estreito desde quinta-feira, 16 de julho. Sete embarcações carregadas do Catar mantinham aproximadamente 570 mil toneladas do produto dentro do Golfo em meados do mês, segundo dados da S&P Global citados pela Reuters.

Antes da guerra, cerca de 20% do petróleo mundial passava pelo Estreito de Ormuz. A redução do fluxo não significa que esse volume tenha desaparecido imediatamente do mercado, porque produtores podem utilizar estoques, oleodutos e rotas alternativas. O prolongamento da crise, porém, eleva custos de seguro, transporte marítimo e proteção das cargas.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou a conclusão da nona noite consecutiva de ataques contra o Irã. Segundo o órgão militar, foram atingidos centros de comando, sistemas de defesa aérea, instalações de vigilância costeira, estruturas marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e redes de comunicação. O Centcom afirmou que pretende reduzir a capacidade iraniana de atacar navios comerciais em Ormuz.

A nova etapa marítima da guerra ocorre um dia depois de a Organização de Energia Atômica do Irã acusar os Estados Unidos de atingir o canteiro da futura usina nuclear de Darkhovin, na província do Khuzistão. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que investigava a denúncia. A instalação estava em fase inicial de construção e não continha material nuclear na última verificação da agência.

No Paraná, os preços registrados nos postos ainda não mostram o impacto da nova escalada. Cálculo do Blog do Esmael sobre as planilhas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aponta que o diesel comum caiu de R$ 6,29 para R$ 6,19 por litro entre as semanas de 28 de junho a 4 de julho e de 12 a 18 de julho. A redução foi de R$ 0,10, equivalente a 1,6%.

No mesmo intervalo, o diesel S10 passou de R$ 6,90 para R$ 6,81, queda de R$ 0,09 ou 1,3%. Na pesquisa mais recente, a ANP consultou 144 postos paranaenses para o diesel comum e 198 para o S10. Os números não permitem afirmar que o avanço do petróleo internacional já tenha chegado às bombas do estado.

O último comunicado público da Petrobras sobre o diesel entrou em vigor em 1º de julho. A estatal reduziu seu preço de venda em R$ 0,3515 por litro, mas suspendeu simultaneamente um desconto temporário do mesmo valor, mantendo o preço médio cobrado das distribuidoras em R$ 3,30 por litro.

A cotação do petróleo é apenas um dos componentes do preço final. Tributos, valor do biodiesel misturado ao produto, custos das distribuidoras, fretes e margens dos postos também interferem no valor pago pelo consumidor. Por isso, uma alta de US$ 1 no Brent não produz automaticamente um aumento proporcional nas bombas.

O Paraná conta com a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, responsável por aproximadamente 12% da produção nacional de derivados. A unidade atende principalmente Paraná, Santa Catarina, sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul e está ligada ao terminal marítimo de Paranaguá. Essa estrutura reduz gargalos logísticos, mas não isola o estado das oscilações internacionais de petróleo, transporte e seguros.

O impacto também pode chegar ao campo. Os portos de Paranaguá e Antonina receberam 2,2 milhões de toneladas de fertilizantes no primeiro trimestre de 2026, ante 2,7 milhões de toneladas no mesmo período de 2025. A redução foi de 500 mil toneladas, ou 18,5%. O relatório da Portos do Paraná atribuiu o recuo a ajustes nos fluxos de insumos agrícolas em um cenário de instabilidade internacional.

Fertilizantes destinados às cooperativas e propriedades rurais dependem de transporte marítimo, armazenagem portuária e caminhões. Mesmo cargas que não passam por Ormuz podem encarecer quando navios são desviados, seguros sobem ou combustíveis marítimos e rodoviários avançam.

O risco imediato para o Paraná ainda é prospectivo, não um aumento comprovado no posto ou no frete. A duração da guerra, o número de embarcações capazes de atravessar Ormuz e a política de preços da Petrobras determinarão se o choque ficará restrito ao mercado financeiro ou chegará ao custo de produção e ao consumidor.

Acompanhe no Blog do Esmael os efeitos da guerra sobre o petróleo, o Paraná e a economia brasileira.

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