A velha mídia golpista emerge como protagonista, traçando estratégias que vão além da simples narrativa informativa, em meio ao cenário político conturbado do Brasil. Neste embate entre Lula e Bolsonaro, os barões da comunicação mostram suas cartas, revelando uma intricada trama de interesses cruzados.
O bate-boca entre Lula e Bolsonaro se tornou o espetáculo preferido da velha mídia golpista. Assim como o corvo é atraído pela carniça, a artificialidade da polarização retórica visa manter o placar empatado, especialmente do ponto de vista de popularidade. Este jogo de cena, cuidadosamente encenado, serve aos propósitos dos conglomerados midiáticos que buscam manter seu domínio.
Por trás das manchetes, há uma trama econômica em que os barões da mídia almejam continuar no poder, com seus interesses entrelaçados à especulação, fundos de investimentos e bancos. Em essência, buscam continuar beneficiando-se do tesouro nacional e do orçamento público, enquanto a população enfrenta crescente empobrecimento.
A palavra de ordem nos jornalões é clara: superavit primário. O resultado desse superavit tem um destino certo – o bolso desses conglomerados, intimamente ligados ao sistema financeiro. Em última instância, é uma defesa de seus próprios interesses, mascarada como um suposto compromisso com a estabilidade econômica.
Custa menos à burguesia manter a retórica de polarização, sugerindo que as pessoas têm de escolher entre a democracia e o autoritarismo, ou entre a esquerda democrática e o fascismo.
A retórica midiática alimenta a polarização afetiva, que é a existência de afinidade entre os membros do mesmo grupo social e hostilidade em relação a outros grupos. Em síntese, a mídia alimenta a divisão da sociedade brasileira.
Já a proposta de anistia que ecoa pela boca de Bolsonaro não é uma miragem, mas sim um projeto de setores neoliberais – que são representados por estes jornalões e bancos. Eles buscam manter Lula sob controle em relação à economia, prontos para acionar o “Fantasma Bolsonaro” no caso de movimentos que contrariem seus interesses e privilégios de classe.
A polarização, nesse contexto, torna-se uma ferramenta estratégica para a velha mídia. Representa o empate necessário, com o desempate na forma da anistia e da recuperação da elegibilidade. Uma jogada calculada para manter o status quo, garantindo a continuidade dos interesses da elite midiática e dos banqueiros.
Diante desse cenário, é imperativo que as forças progressistas e nacionalistas se reagrupem. Contudo, a proposta não é uma manifestação pela prisão de Bolsonaro, mas algo mais construtivo para o país. A verdadeira urgência reside na retomada do desenvolvimento, na volta do pleno emprego e na recuperação do poder de compra dos trabalhadores.
Não cabe aos verdadeiros democratas o figurino do lavajatismo com o propósito de sair à caça de golpistas ou de adversários. Esta tarefa é do judiciário, que deve respeitar o devido processo legal.
Bandeiras como a retomada da Petrobras, da Eletrobras e de empresas como a Copel precisam ser erguidas. O exemplo recente do México, que fortaleceu o controle sobre seu petróleo e energia, deve servir como inspiração. É hora de focar não apenas nas falsas emoções, mas na construção de um caminho sólido para o desenvolvimento econômico e social.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




