Deu no New York Times: Bolsonaro não vai reconhecer a derrota nas urnas em 2022

Notícias ao vivo da Covid: Facebook e Instagram derrubam live em que Bolsonaro associou Aids à vacina

Divirjo da maioria que concorda com a censura ao presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. Sou daqueles que vê com preocupação a iniciativa de empresas de aplicação de remover conteúdo sem uma decisão judicial. Hoje é ele [presidente] que está tendo conteúdos removidos, amanhã poderá ser você, seu colega, sua mãe.

Bolsonaro cometeu mais uma sandice ao associar a imunização contra a covid ao desenvolvimento da Aids. Nisso há um consenso.

Na live presidente de quinta-feira (21/10), o presidente disse que “vacinados [contra a Covid] estão desenvolvendo a síndrome da imunodeficiência adquirida [Aids]”. Mais uma mentira, óbvio.

Mas aí delegar às empresas privadas de agirem por conta própria é outra coisa. Os órgãos de controle público é que deveriam pedir a remoção, a exemplo da PGR (Procuradoria-Geral da República), que convenientemente cochila.

Por mais que Facebook e Instagram aleguem que a exclusão faz parte de políticas da empresa relacionadas à vacina da Covid-19, em perspectiva, a atitude das plataformas é temerária do ponto de vista democrático.

As empresas de Mark Zuckerberg não são um primor no trato das questões democráticas, pelo contrário, vide vários governos que o Facebook ajudou a derrubar mundo afora e processos que a gingante do Vale do Silício enfrenta na Índia, Europa, Estados Unidos, dentre outras nações, por cometimentos de ilegalidade e violações de dados.

Não me sinto confortável assistir ao país aplaudindo ‘terceiros, privados e estrangeiros’ decidindo algo capital mesmo sob a aparente defesa da saúde pública dos brasileiros. Estrategicamente falando, isso é uma tragédia anunciada.

Se “privatizamos” o zelo pela saúde pública, o que faríamos com as eleições, as escolhas, se buscarmos a tutela do Facebook, Twitter, Instagram, Google, etc.?

Nós estamos a um passo para permitir que a vontade do eleitor nas urnas também seja violada, quando permitimos que Zuckerberg remova conteúdo supostamente falso –as diabólicas fake news– sob a orientação da velha mídia corporativa e do próprio TSE [sem decisão judicial], que fazem diuturna campanha pela criminalização de fontes de informação alternativas.

Não nos se esqueçamos, caro leitor, da campanha do Brexit, no Reino Unido, por meio da empresa Cambridge Analytica.

A Cambridge Analytica usou clandestinamente dados de usuários do Facebook e recorreu a caixa 2 para fraudar o plebiscito sobre a saída do Reino Unido da União Europeia em 2016, o Brexit. Além disso, a empresa vazou informações de integrantes da rede social para influenciar a última eleição nos EUA, a favor de Donald Trump. É disso que estamos falando.

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