Cristina Seguí, militante do VOX, organização fascista na Espanha ataca Lula e a esquerda ao redor do mundo

Ex-aeromoça de extrema-direita ganha 15 minutos de fama em ataque contra Lula e Foro de São Paulo

Cristina Seguí, uma ex-aeromoça antifeminista e anticomunista, ganhou 15 minutos de fama ao atacar o Foro de São Paulo e o PT com fake news disparados desde a Espanha. O material tem sido amplamente compartilhado por políticos bolsonaristas e apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.

A militante do “Vox” –organização extremista espanhola de raiz fascista– dissemina diariamente teses conspiracionistas e negacionistas em relação à pandemia.

A “influenciadora” espanhola possui um canal no YouTube chamado “Estado de Alarme”.

Nas últimas horas a influencer ganhou visibilidade nas redes sociais brasileiras por meio de uma reportagem da TV Record, de Edir Macedo, em que a espanhola denuncia o narcotráfico por supostamente financiar a esquerda, PT e Foro de São Paulo.

Evidentemente que a Igreja Universal do Reino de Deus, a IURD, tem interesse em atingir a candidatura de Lula e garantir a permanência –que Deus nos livre e guarde– do presidente Jair Bolsonaro em 2022.

Há um mês, com a detenção pelas autoridades espanholas, em Madrid, de Hugo Carvajal, conhecido por “El Pollo” [O Frango], o antigo líder dos serviços secretos venezuelanos, Seguí viu ali um filão para a sua cruzada e alargou a argumentação de ligações do sistema político espanhol ao regime de Nicolás Maduro até Portugal e ao Brasil.

A pedido dos Estados Unidos, “El Pollo” foi detido a 10 de setembro, para ser julgado por Washington num caso de narcotráfico, mas ainda não foi extraditado. Tem sido ouvido pela Justiça espanhola, a quem, para não ser extraditado, vai entregando algumas informações – entre as quais, de que um dos fundadores do partido espanhol de esquerda Podemos, Juan Carlos Monedero, teria recebido 200 mil euros da petrolífera estatal venezuelana.

Qual a tese de Cristina Seguí, que é veiculada em pseudojornais de língua espanhola: Carvajal esteve escondido em Espanha, com a ajuda dos serviços secretos do país vizinho – o Centro Nacional de Inteligência -, que, diz, serem controlados pelo PSOE, do chefe do Governo Pedro Sánchez, e pelo Podemos, “ambos financiados pelo narcotráfico da América Latina”. Porém, assegura que antes de Madrid, “El Pollo”, “passou, desde que desapareceu, quase três anos em Portugal, sob a proteção de políticos e empresários portugueses e espanhóis”.

Um desses políticos seria, na tese conspirativa de Seguí, Manuel Dias Loureiro, a quem chamou “um dos homens mais influentes” do PSD, numa entrevista dada, na semana passada, ao jornal carioca “O Dia”.

Uma das figuras sociais-democratas na mão de Dias Loureiro seria José Luís Arnaut, chairman da Ana – Aeroportos. De acordo com a cronista, autora de duas obras [“Manual para se defender de uma feminazi” e “Mafia feminista”], “El Pollo” saiu depois de Portugal, via aeroporto de Tires [Cascais] com a ajuda da Mota-Engil, que lhe pagou um jato em troca dos alegados favores recebidos na Venezuela.

A esta narrativa, sem qualquer base factual nem provas, juntam-se depois cubanos, o Hezbollah (a força paramilitar islâmica extremista que controla territórios do Centro-Norte do Líbano e que se transformou em partido político), brasileiros (PT, Lula e outros dirigentes da esquerda da América Latina).

A fake news de Cristina Seguí, com repercussão além-mar, pode ser o marco da internacionalização da extrema-direita organizada pelos Bolsonaro a partir do Brasil.

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